segunda-feira, junho 14, 2021

SALMO 46

 SALMO 46

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam. Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; jamais será abalada; Deus a ajudará desde antemanhã. Bramam nações, reinos se abalam; ele faz ouvir a sua voz, e a terra se dissolve. O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. Vinde, contemplai as obras do SENHOR, que assolações efetuou na terra. Ele põe termo à guerra até aos confins do mundo, quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo. Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.

Há um hino muito conhecido entre os cristãos composto pelo reformador Matinho Lutero e aconteceu num momento de muita luta e tribulação. A história diz que, para sua proteção, ele se refugiou em um castelo e lá compôs essas palavras: “Castelo Forte é o nosso Deus, espada e bom escudo, com seu poder defende os seus, em todo transe agudo”.

         Esse hino teve seu ponto de partida nesse salmo, captando sua mensagem tão forte e desafiadora. Quanto ao salmo, ele aponta a vitória de Deus numa esfera após a outra. Seu poder se manifesta sobre a natureza (v. 1-3), sobre ataques dos inimigos em sua cidade (v. 4-7) e sobre o mundo inteiro (v. 8-11).

         Esse tom robusto e desafiador sugere que ele foi composto (pelos filhos de Coré) em algum momento de crise, o que torna maravilhosamente impressionante a sua confissão de fé. É exatamente nesses momentos difíceis que a nossa fé é colocada à prova e as maiores manifestações do Poder de Deus são plenamente vistas.

         No salmo 46 a crise permanece sem identificação, mas a mensagem se estende muito além qualquer situação específica. Com certeza, podemos aplicá-lo a esse momento atual de crise pela pandemia que estamos vivendo. É uma doença que tem causado muitas mortes, uma séria crise econômica e muita insegurança e desespero.

         Nesse momento tão difícil em nossas vidas, somos desafiados a olhar para o salmo 46 para perceber a benção, a proteção e a vitória de Deus.

DEUS É O NOSSO REFÚGIO E FORTALEZA.

1.  DEUS ESTÁ PRESENTE NO MOMENTO DO TUMULTO NATURAL (V 1-3)

“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam”.

         Seria possível prever uma catástrofe mundial tão arrasadora como a que estamos vivendo hoje? Até algum tempo atrás, o ser humano não poderia imaginar a possibilidade da existência de uma catástrofe de alcance mundial de tão grande porte. No entanto, estamos vivendo esse momento absolutamente singular e dramático.

         A mensagem desse salmo é plenamente atual e literalmente verdadeira. Nosso verdadeiro refúgio e segurança se encontram em Deus, não em Deus e outra coisa. Em Deus somente!

         Então, mesmo que a natureza se enfureça e estremeça para nos atingir através de qualquer circunstância, não temeremos. Deus está presente! Ele é nosso socorro na hora certa!

2. DEUS ESTÁ PRESENTE NA PAZ DA SUA CIDADE (V. 4-7)

“Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; jamais será abalada; Deus a ajudará desde antemanhã. Bramam nações, reinos se abalam; ele faz ouvir a sua voz, e a terra se dissolve. O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio”

         O salmo depois de falar dos transtornos da natureza, volta-se à fúria dos homens, e a uma cidade assediada.

         Com Deus, as águas já não são mares turbulentos e ameaçadores. Elas são como um rio tranquilo que traz vida. No salmo 98:7-8 os mares e os rios dão as boas-vindas ao seu Criador. Essa é uma figura de linguagem que mostra o controle de Deus sobre sua criação. Tudo está sob o controle DELE.

         No novo testamento (Marcos 4:39) vemos a história de Jesus atravessando o lago de Tiberíades com seus discípulos. E repentinamente sobreveio uma grande tempestade de ventos. Ao ser acordado com pedido de socorro por seus discípulos Jesus ordenou ao vento e parou a tempestade.

         Sabemos que Jesus é o filho de Deus criador de todas as coisas. Nesse fato ele mostrou sua autoridade sobre a natureza criada fazendo acalmar a tempestade. E fica uma linda lição: Quando Jesus está presente no barco tudo sempre irá muito bem e somente Ele pode acalmar essa tempestade que estamos atravessando.

3. DEUS ESTÁ PRESENTE PARA RECEBER A GLÓRIA FINAL (V. 8-11).

“Vinde, contemplai as obras do SENHOR, que assolações efetuou na terra. Ele põe termo à guerra até aos confins do mundo, quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo. Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. O SENHOR dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio”.

         Esta passagem é uma visão das coisas que virão no fim, embora as vitórias do presente já sejam um antegozo daquelas do futuro. Há aqui uma visão da esperança escatológica. É o momento que todos sempre aguardaram ansiosamente. A consumação do século (Mateus 28:20).

         A palavra contemplai não significa apenas visão contemplativa, mas geralmente é empregada como uma visão com olhos interiores, conforme vê um vidente ou um profeta. Ou seja, “espere para ver o Deus há de fazer”.

         Embora o resultado seja paz, o processo é de julgamento. A expressão: ‘Ele põe termo à guerra’ sugere não um contexto de suave persuasão, mas uma situação de intervenção divina num mundo dominado pela crise.

         Finalmente, encontramos a expressão: “aquietai-vos...” que não é apenas uma consolação para os aflitos, mas uma repreensão para o mundo inquieto e turbulento. Ele está dizendo: “quietos!” ou “deixa disso! Eu estou no controle!” É o mesmo sentido da expressão de Jesus ordenando ao vento e o mar: “Acalma-te, emudece!” (Marcos 4:39). E o vento se aquietou e fez-se grande bonança.

         O fim que se aproxima é voltado para a glória de Deus: “sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra”. Um Deus assim tão poderoso e que está conosco é o nosso refúgio e será sempre exaltado. Deus não perdeu o controle das coisas, mas está sendo glorificado até o final de tudo, para a gloria dele!

         É como podemos ver nas palavras inspiradas da última estrofe do Hino Castelo Forte:

         “De Deus o verbo ficará, sabemos com certeza, e nada nos assustará, com Cristo por defesa! Se temos de perder, Família, bens, prazer; se tudo se acabar e a morte enfim chegar, com ele reinaremos!”

         Deus seja louvado!

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