sexta-feira, fevereiro 17, 2012

A PRESENÇA FEMININA NA GENEALOGIA DE JESUS


INTRODUÇÃO

            A presença de nomes femininos na genealogia registrada no evangelho canônico de Mateus é um fato incomum e surpreendente, pois nos registros genealógicos dos livros canônicos normalmente não aparecem o nome das mulheres.
            Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba e Maria tiveram seus nomes incluídos nessa importante genealogia. Todas foram fortes e venceram suas batalhas pessoais e familiares. Todas sofreram e choraram para cumprir o seu papel de mulher e de ser humano. Com suas vitórias, todas deixaram seus nomes marcados para sempre na história.
            A presença dessas mulheres na genealogia de Jesus não é por acaso. Qual foi o propósito do escritor bíblico em registrar esses nomes? Por que razão ele mencionaria essas histórias? Qual a ligação delas com o nascimento de Jesus nesse contexto judaico-cristão na comunidade de Mateus? Nesse caso específico, qual era o objetivo do escritor-evangelista?
            Para compreender esta surpreendente citação feminina na genealogia de Jesus a presente pesquisa pretende seguir três pontos fundamentais: Primeiramente, analisar o pano de fundo contextual do evangelho de Mateus. Em segundo lugar, mostrar o significado do uso de genealogias naquele momento histórico e a sua importância como justificativa de autoridade. Em terceiro lugar, estudar a história de Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba para perceber as diferenças e semelhanças entre cada uma delas. Assim, será possível vislumbrar algumas respostas sobre o objetivo do escritor-evangelista ao fazer referência a cada uma dessas mulheres.
            Sobre a situação que moldou o evangelho de Mateus, provavelmente, há mais acordo do que sobre os demais evangelhos canônicos. Ao que parece o evangelista escreveu a sua carta em resposta ao período de transição que se segue à revolta judaica, em 66-73 D.C., e à transformação resultante tanto no judaísmo como no cristianismo. Possivelmente, Mateus tenha escrito seu evangelho em alguma época das décadas dos anos 80 e 90, para uma comunidade urbana na área da Síria.
            O propósito principal do livro é testificar que Jesus era o Messias da promessa do primeiro testamento e que sua missão messiânica consistia em trazer o reino de Deus até os homens.
            Para Jesus, na sociedade deveria haver lugar para todos: mulheres e homens, pobres e ignorantes. O reino de Deus, proclamação central de Jesus, é um reino ideal no qual não pode haver guerras nem dominação, tampouco fome e discriminação, pois todas as vidas são preciosas aos olhos de Deus.

A GENEALOGIA E SEU SIGNIFICADO

            A palavra genealogia deriva de duas palavras do grego genoς (raça) e logia (estudo) e pode ser traduzida por estudo da raça humana, da origem, da descendência e das relação entre famílias. No caso de algumas nações antigas, as genealogias se revestiam de grande importância, pois as sociedades eram organizadas segundo as linhagens tribais. 
            Na cultura dos hebreus, as genealogias preservavam as identificações tribais e as possessões sob forma de terras, sendo muito importante para uma cultura nitidamente agrícola.
            Os registros genealógicos judaicos contêm informações que se estendem por um período de mais de três mil e quinhentos anos, desde a história da criação de Adão até o cativeiro babilônico.
            Após o cativeiro babilônico, os judeus mostraram-se extremamente cuidadosos em preservar seus registros genealógicos. O historiador Flávio Josefo afirma que era capaz de provar que descendia da tribo de Levi, mediante registros públicos disponíveis. (De vita sua, par. 998). Ele também afirma que, a despeito dos cativeiros e dispersões sofridas por Israel, as tábuas genealógicas nunca foram negligenciadas. Durante o período de dominação romana, entretanto, houve grande destruição desses registros genealógicos e a preservação das linhagens tornou-se um empreendimento privado e, sem dúvida, inexato. Tanto as genealogias públicas quanto as bíblicas, com freqüência, envolviam muitos hiatos, alguns deles graves, pelo que consideráveis inexatidões penetram na questão, mesmo nos tempos antigos, antes do começo do cristianismo.
            Algumas das características particulares das genealogias dos textos bíblicos podem ser observadas em outros textos, principalmente nas listas de reis e governantes das nações vizinhas. Alguns estudos arqueológicos têm mostrado que as genealogias representativas, compostas de modo simétrico, eram uma prática comum entre povos vizinhos de Israel.
            Na lista de reis sumérios Mes-Kiag-Nanna é chamado de filho de Mes-anni-padda, mas descobertas arqueológicas têm mostrado que, na realidade, foi seu neto. Na Babilônia, desde os tempos dos Cassitas, era prática comum o uso da palavra mâr (filho de) fosse uada como sentido de descendente de.O rei Tiraca  (cerca de 670 A.C.) refere-se a Sesóstris III (cerca de 1870 A.C.) como seu pai, embora o espaço de tempo de mil e duzentos anos separassem um do outro. As genealogias árabes exibem o mesmo tipo de fenômeno.
            Dessa forma, é evidente que o uso de genealogias é uma demonstração de autoridade e poder, além de ser a confirmação da linhagem para reivindicação monárquica.
            A genealogia de Mateus, arranjada em grupos de quatorze nomes, mostra que o intuito era o de ser representativa e não completa. Quando o escritor do evangelho de Mateus inicia seu livro com essa genealogia ele está defendendo o reinado de Jesus, através da linhagem de Davi.
            Seja como for, o ponto principal ficou demonstrado: a intenção era mostrar que Jesus era descendente tanto de Davi como de Abraão, ficando assim evidenciado sua reivindicação à posição messiânica.
            A genealogia é dividida em três grupos, com quatorze gerações, como afirma o verso 17. Na verdade, porém o terceiro grupo contém somente treze nomes, e no segundo grupo três gerações são omitidas, conforme a evidência de I Crônicas 1 a 3, que o autor parece ter usado como fonte.
            Há um pensamento sugerido por alguns comentaristas, que a significação que o escritor achou no número “quatorze” é que os valores numéricos das consoantes hebraicas na palavra Davi dão como soma aquele número. Outros estudos vêem implicações mais ocultas no uso de números pelo autor de Mateus.
            Um detalhe que chama a atenção na genealogia do evangelho de Mateus é a citação de alguns nomes femininos.
AS MULHERES DA GENEALOGIA DE JESUS

TAMAR

            A primeira mulher citada na genealogia de Jesus é Tamar. A história de Tamar está registrada no livro de Gênesis 38:1-30.
            Tudo começa quando Judá, um dos filhos de Jacó se apartou dos seus irmãos e foi viver na casa de Hira, o adulamita. Nessa terra, um lugar onde haviam várias cavernas no território ao sudeste do que veio a ser a cidade de Jerusalém, ele casou-se com a filha de um cananeu chamado Sua. Casualmente, a história não menciona o nome de sua mulher cananéia. Desse casamento nasceram-lhe três filhos. Er, Onã e Selá. No devido tempo Judá casa o seu filho primogênito. A esposa escolhida para Er chamava-se Tamar.
            Pouco tempo depois desse casamento e antes mesmo de terem tido filhos Er veio a falecer e Tamar se tornou viúva e sem filhos. Pela lei do levirato (ou dever de cunhado) a mulher que ficasse viúva sem filhos deveria ser entregue ao irmão mais velho, para que fosse completada a descendência do irmão falecido. Essa lei também era chamada de a  prática do dever de cunhado.
            Dessa forma, Tamar foi entregue como esposa de Onã.
            Porém, por causa do orgulho em permitir que fosse dada a descendência ao seu irmão falecido, Onã viveu com Tamar evitando ter filhos, deixando o sêmen cair na terra sem que houvesse fecundação.
            Passados alguns anos Oná também veio a falecer e, mais uma vez, Tamar se tornou viúva sem filhos. Pela mesma lei do levirato Tamar deveria ser entregue ao próximo irmão vivo, chamado Selá.
            Entretanto, Judá não permitiu que assim acontecesse, pois considerou Tamar amaldiçoada pela morte dos dois primeiros maridos. Com a desculpa que o filho Selá ainda era novo para o casamento, Judá a enviou de volta a casa de seus pais.
            Algum tempo depois Judá viajou para Timma, para tosquiar ovelhas. Era uma época festiva entre os cananeus, quando o desejo sexual estava maia aguçado pelo culto cananeu que incentivava a fornicação ritual com magia da fertilidade. Tamar foi ao encontro de Judá e preparou um estratagema, pois percebeu que Selá já era homem e não lhe foi entregue como marido.
            Tamar se despiu das vestes da viuvez e usando um véu disfarçou-se de prostituta. Muito provavelmente Tamar posou como prostituta cultual, talvez para ter segurança dobrada em captar sua vítima. E dessa maneira Judá foi seduzido por Tamar, sem saber que era sua nora.
            Judá ofereceu um cabrito do rebanho como pagamento pelo agrado sexual e Tamar pediu como penhor o selo, o cordão e o cajado. Ele atendeu ao seu pedido e a possuiu; e ela concebeu dele. No outro dia ele não mais a encontrou.
            Passados uns três meses descobriram que Tamar estava grávida e a consideraram adúltera. Quando estavam para condená-la a morte por adultério ela anunciou que estava grávida do dono daqueles objetos: o selo, o cordão e o cajado. Dessa forma, Judá reconheceu que foi injusto com sua nora, não a tendo casado com seu filho Selá.
            Dessa relação incestuosa nasceram-lhe gêmeos. Perez e Zera. O nascimento também foi algo incomum. As crianças disputaram a progenitura antes de nascer, como aconteceu com Esaú e Jacó. Zerá colocou seu braço para fora e nele foi amarrada uma fita vermelha. Porém, Perez ainda nasceu primeiro e recebeu esse nome que significa “aquele que rompe a saída”.
            Assim, Tamar conseguiu ter filhos. Salvou a sua honra e a sua vida. Tamar agiu com astúcia e preservou sua vida e posteridade.
            Certamente, o escritor do evangelho de Mateus conhecia muito bem todos os detalhes humanos e irregulares dessa história. Tamar não foi citada por acaso e sua história continuava a falar séculos e séculos depois.
RAABE

            A segunda mulher citada na genealogia é Raabe. Esta história bíblica está registrada no livro de Josué 2:1-24 e 6:22-27.
            Raabe era prostituta por profissão. Esta história relata a espionagem militar  no momento da conquista da terra por Josué. O povo de Israel tinha passado vários anos no deserto, porém agora sob a liderança de Josué eles estavam batalhando para conquistar a terra de Canaã. Depois de vencerem vários reis eles acamparam em Sitim, quando se preparavam para invadir a cidade. Jericó era muito bem fortificada e protegida por altas muralhas.
            Para tomar conhecimento da cidade e preparar a invasão Josué enviou secretamente dois espiões a Jericó. Os espiões se hospedaram na casa de Raabe, a prostituta. A história bíblica conta que chegou ao conhecimento do Rei da cidade que haviam chegado alguns homens estranhos e suspeitos de serem enviados por Josué.
            Raabe enganou os soldados do Rei da cidade de Jericó dizendo que os espiões tinham saído de sua casa, porém ela os havia escondido no telhado da casa. Depois ela foi ter com os espiões e fez um pacto com eles.
            Raabe reconhece que havia um ambiente de temor em Jericó pela chegada do povo hebreu e certamente não havia como escapar da invasão. Num ato de fé, ela reconheceu que havia um poder especial na ação do Deus dos hebreus. Então, Raabe pediu que fosse poupada, ela e toda a sua família. Sendo assim, ela os ajudaria e protegeria. E assim foi feito.
            Raabe os ajudou fazendo-os descer por uma corda pela janela e no momento da invasão da cidade a casa de Raabe deveria ser marcada com uma fita vermelha que serviria como sinal.
            O assalto à cidade foi tremendo. Os soldados de Josué destruíram e saquearam Jericó, e todos os seus habitantes foram mortos. Porém, Raabe salvou a sua vida e a da sua família, como tinha combinado com os espiões.
            A vida de Raabe foi poupada e ela foi plenamente integrada na família dos hebreus, mesmo sendo uma mulher estrangeira. Ela assumiu plenamente a sua fé no Deus dos hebreus e habitou no meio de Israel integralmente. Ela se casou com Salmon e foram os pais de Boaz.
            Por sua fé e coragem ela foi fundamental na conquista da terra de Canaã e mesmo sendo uma mulher estrangeira e uma prostituta, foi reconhecidamente lembrada na genealogia de Jesus.
  
RUTE

            A terceira mulher citada na genealogia é Rute. Esta história bíblica está registrada no livro de Rute. A história de Rute contada no livro com seu nome é uma verdadeira lição de fé, esperança e amor.
            Nos dias de grande fome na terra uma família de judeus foi morar nas terras de Moabe. O homem chama-se Elimeleque e com ele foi sua mulher Noemi e seus dois filhos, Malom e Quiliom. Passados alguns anos Elimeleque veio a falecer e mais tarde seus dois filhos se casaram com duas mulheres moabitas. Uma chama-se Orfa e a outra se chamava Rute.
            Passados dez anos morreram ambos os filhos, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido. Então Noemi se dispôs a retornar para a terra de Israel, pois o tempo da fome já havia passado.
            Quando estavam de partida Noemi sugeriu a suas duas noras que voltassem para a casa de seus pais. Orfa resolveu voltar, porém Rute se apegou a Noemi de tal maneira que foi com a sogra, mesmo sabendo da falta de perspectiva para ela.
            Elas voltaram e foram morar em Belém no princípio da colheita das cevadas. Era uma época de fartura. Por serem viúvas elas não tinham sustento e viviam com muita dificuldade. Assim, Rute vai à lavoura para rebuscar as espigas que caíam dos jacás dos catadores. A lei judaica permitia esse procedimento aos pobres, estrangeiros, viúvas e órfãos. Rute era uma mulher de trabalho e muito se sacrificava para ganhar o pão para sua casa e de sua sogra.
            Por acaso, ela foi rebuscar espigas na lavoura de Boaz, que era parente da família de Elimeleque, o finado esposo de Noemi. Boaz conheceu a moabita Rute e se admirou com sua tenacidade e fidelidade à sogra Noemi. Ele a agregou às outras trabalhadoras, deu-lhe condição de trabalho e até a chamou para comer do pão com ele.
            Rute ficou admirada com a bondade de Boaz e quis saber por que ele era tão generoso com ela, sendo ela uma mulher estrangeira. Boaz respondeu lembrando da experiência de Abraão dizendo que ela havia deixado pai e mãe, a terra onde nascera e veio para um povo que nem conhecia. Boaz abençoou Rute rogando que ela recebesse uma farta recompensa das mãos do Senhor, Deus de Israel, pois foi debaixo das asas dele que ela veio buscar amparo. A história bíblica mostra o desenvolvimento desse romance baseado na sinceridade, na esperança e na fé em Deus.
            Boaz se sensibilizou pela situação de Rute e resolveu torna-se o resgatador da família. O resgatador era uma possibilidade de restauração social prevista na lei judaica. Era o ato de reaver legalmente os bens da família ou mesmo as pessoas que fossem vendidas como escravas. Ou seja, se a família pobre precisasse vender sua terra, o parente mais próximo era obrigado a resgatar a terra, comprando-a de volta para o parente que a estava perdendo. Se o parente não pudesse comprá-la de volta e a pessoa que vendeu se enriquecesse depois, ele mesmo poderia comprar a terra pelo mesmo valor que a vendeu. Era um modo de preservar a família e evitar o desequilíbrio social.
            No caso de Rute houve uma junção da lei do resgate com a lei do levirato ou o dever de cunhado. Boaz casa-se com Rute para continuar a descendência da família, perdida através da morte de Quiliom.
            Dessa maneira, Rute teve a sua vida restaurada e a esperança se concretizou na restauração de sua família e a posteridade de sua casa. Ela encontrou finalmente a felicidade, como prêmio do seu trabalho, de sua abnegação e fidelidade. Mas, embora a sua moral fosse inatacável, tinha algo vergonhoso para qualquer judeu: era estrangeira. Pior ainda, pertencia aos moabitas, um dos povos mais odiados pelos judeus.
            Do casamento de Rute com Boaz nasceu Obede. A criança veio alegrar sobremaneira o coração de Noemi. Obede foi o pai de Jesse, este foi o pai do rei Davi.
            Rute, essa mulher especial deixa sua marca de integridade na história dos judeus. Este exemplo continua a falar continuamente. Esta moabita, que está presente na linhagem do rei Davi, foi muio bem lembrada pelo escritor-evangelista na genealogia de Jesus.

BATE-SEBA

            A quarta mulher citada na genealogia é Bate-Seba. Esta história bíblica está registrada no livro de II Samuel 11.
            Era uma mulher hitita, esposa de Urias, oficial do rei Davi. Vivia com o seu esposo em Jerusalém, perto do palácio do rei. Era muito bonita. Tão bonita, que o rei Davi se encantou perdidamente por ela. Aproveitando o fato de Urias ter partido para a guerra, o rei mandou chamá-la ao palácio, e se uniram amorosamente.
            Ela, então, ficou grávida. Para evitar o escândalo, Davi fez vir Urias da frente de batalha e deu-lhe uns dias de férias em sua casa, a fim de que este convivesse com sua mulher durante um tempo razoável e assim cobrisse as aparências.
            Mas Urias opôs-se a este privilégio, sabendo que os seus soldados estavam em plena guerra. Então, o rei fez com que o mandassem novamente para o meio da luta, ele retornou para a guerra levando uma carta para o comandante Joabe. Nessa carta havia a sua própria sentença de morte. Urias foi colocado na frente da batalha, na zona mais dura e de maior perigo. Deste modo, Urias morreu e Davi pôde ficar com sua esposa Bate-Seba.
            Algum tempo depois, um profeta, mediante uma comovedora parábola, fez ver a Davi o seu crime e o seu gravíssimo pecado. Davi, humildemente, reconheceu a sua culpa, arrependeu-se e pediu perdão. O adultério cometido por Davi foi o impulso para uma vida familiar totalmente tumultuada até o fim de seus dias.
            O primeiro filho de Davi com Bate-seba morreu ainda criança, Porém, outro filho do casal, Salomão, foi o sucessor de Davi e teve muita prosperidade e sucesso no seu reinado.

PRESENÇA FEMININA NA GENEALOGIA

            Certamente, a presença feminina na genealogia de Jesus é um fato incomum. Nas demais genealogias não se encontram nenhuma referência ao nome das mulheres. Sabe-se que as genealogias tinham seu objetivo histórico e até mesmo teológico. Existem algumas razões que podem ser analisadas, no caso da citação do nome de mulheres na genealogia de Jesus pelo escritor-evangelista Mateus.

A ACUSAÇÃO DE QUE JESUS NÃO ERA O MESSIAS, POR QUE SERIA FRUTO DE UMA UNIÃO ILEGÍTIMA.

            A primeira razão, aqui mencionada, que teria motivado o escritor-evangelista Mateus a citar o nome de mulheres na genealogia de Jesus é que pesava sobre Jesus uma séria acusação. Jesus não poderia ser o Messias, por que seria fruto de uma união ilegítima. Ele era filho de um carpinteiro pobre com uma mulher humilde, que carregava o estigma de alguém que tinha engravidado antes do casamento.
            Há uma relação muito forte entre as mulheres citadas na genealogia com a maneira  pela qual se deu o nascimento de Jesus. Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba tiveram um relacionamento fora dos padrões morais regulares.
            Esse argumento concorda com a afirmação de Saldarini (2000: p.278): “A irregularidade do nascimento de Jesus é preparada pela citação de quatro mulheres na genealogia, todas irregulares de um jeito ou de outro”.
            Nessa mesma linha, está o argumento do professor André Chevitarese (2006), quando escreve sobre o maior interesse das comunidades cristãs, a partir dos últimos decênios do primeiro século em diante, pela família de Jesus de Nazaré. Para defender seu ponto de vista, ele apresenta como um dos seus argumentos a teoria, que pode ser assim resumida:
            Há dois indícios na literatura cristã que deixam transparecer que algumas comunidades cristãs já conheciam a acusação formulada pelos seus opositores de que Jesus não poderia ser o Messias, na medida que ele seria o resultado de uma união ilegítima, sendo considerado filho da prostituição. Os responsáveis por essa acusação estão do lado de fora dos portões das respectivas comunidades, talvez ainda inseridos no judaísmo.
            O primeiro indício ocorre em um diálogo marcado pela tensão crescente entre Jesus e um grupo de judeus. O seu ápice estaria contido na seguinte passagem do Evangelho de João: “[Disse-lhes Jesus]: vós, porém, procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez! Vós fazeis as obras de vosso pai! Disseram-lhe, então: Não nascemos da prostituição, temos um só pai: Deus” (João 8:40-41).
            O segundo indício está no capítulo primeiro do evangelho de Mateus. Verifica-se ao longo da genealogia mateana a citação de cinco mulheres, dentre elas, Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo.
            A narrativa mateana não deixa dúvida: o elemento comum nas narrativas relativas às vidas das cinco mulheres é a prostituição. Na sua genealogia, Mateus cita cinco mulheres, das quais quatro trazem o estigma da prostituição. É pouco provável que a quinta mulher, Maria, estivesse isenta da tal estigma.
            O professor André ainda cita mais três outros textos na literatura do século II, que podem ser usados com referência à acusação da ilegitimidade física de Jesus. O primeiro é o Proto-Evangelho de Tiago. Esse texto deixa claro que algumas comunidades cristãs estavam preparando um material com finalidade de defender a honra de Maria, particularmente no que se refere à sua concepção e ao seu parto virginal. O segundo é o Verdadeiro Discurso, de Celso (datado de 178 D.C.) citado parcialmente na obra de Orígenes, Contra Celso (de 248 D.C.). Nesse texto há o registro de acusações de Celso contra o nascimento ilegítimo de Jesus. O terceiro é Os espetáculos de Tertuliano. É um texto produzido por um cristão do norte da África, em 197 D.C., que recupera a acusação, que ele considera caluniosa, de que Jesus seria filho de uma prostituta.
  
ROMPIMENTO COM O JUDAÍSMO E A MISSÃO AOS GENTIOS.

            Uma outra razão que teria motivado o escritor-evangelista Mateus a citar o nome de mulheres estrangeiras na genealogia de Jesus é que essa citação sinalizaria um princípio de rompimento com o judaísmo e a abertura da missão do messias aos gentios. Tamar foi casada com o filho de Judá quando ele estava distante de sua família, morando com um Adulamita nas terras cananéias. Rute era moabita. Raabe morava em Jericó, cidade destruída por Josué.
            Historicamente há um fator que precisa ser observado. O contexto do evangelho de Mateus tem uma profunda ligação com o período pós revolta judaica dos anos 66-73 d.C. Donald Senior (1987) desenvolve muito bem esse argumento, que pode ser assim resumido:
            Para o judaísmo, a experiência arrasadora da revolta, incluindo a destruição de Jerusalém e do templo no ano 70 d. C., significou mudança radical na textura de sua vida religiosa. A variedade, que caracterizou o judaísmo pré-70, precisava abrir caminho para uma expressão mais homogeneizada a fim de sobreviver. Os fariseus eram os únicos com suficiente força moral e astúcia para coordenar a sobrevivência judaica. Sob sua liderança, centralizada em Jâmnia, os fariseus construíram o judaísmo na base de estreita fidelidade à lei, enquanto interpretada pelos fariseus.
            Esta consolidação de pós-70 significava menos tolerância para grupos marginais do que no período antes da revolução. Movimentos apocalípticos e cristãos eram vistos como enfraquecimento da ortodoxia judaica e, conseqüentemente, como ameaça à sobrevivência.   Como resultado, tais grupos foram expulsos das sinagogas durante o último trimestre do século I e os relacionamentos entre a Igreja e a Sinagoga se tornaram cada vez mais antagônicos.
            Dessa forma, visto que a identidade de Jesus e as implicações de sua mensagem eram os pontos básicos de tensão entre a Sinagoga e a Igreja e o catalizador definitivo no tocante ao deslocamento da igreja em direção aos gentios, não surpreende que a perspectiva de Mateus seja radicalmente cristológica. Jesus não é somente o proeminente filho de Israel, mas o inaugurador de uma nova época de salvação que se estende a todos os povos.
            Os suportes básicos para a perspectiva da missão aos gentios encontram-se em todo o evangelho de Mateus. Assim como pode-se ver no capítulo final, que mostra o estilo de atividade missionária da comunidade de Mateus.
            “E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho ordenado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mateus 28:18-20).

IMPORTÂNCIA DA PRESENÇA FEMININA NO MOVIMENTO DE JESUS.

            A terceira razão que teria motivado o escritor-evangelista Mateus a citar o nome de mulheres na genealogia de Jesus é que esse fato já é uma evidência da importância da presença feminina no movimento de Jesus.
            É impressionante como a literatura canônica e não canônica revela uma presença feminina marcante. As mulheres na genealogia são apenas um sinal dessa presença feminina que viria posteriormente. É muito forte a lembrança e o registro de vários nomes: Marta e Maria, amigas de Jesus; Maria Madalena, apóstola da ressurreição e as mulheres anônimas que deixaram sua marca: a mulher Siro-fenícia, a mulher de Samaria, a mulher impura que “roubou” um milagre de Jesus. O movimento de Jesus foi absolutamente revolucionário nesse aspecto da valorização da mulher como ser humano.
            Uma das características do movimento de Jesus na Galiléia foi a pregação da igualdade. Jesus pregou a igualdade em todos os sentidos. No movimento de Jesus não há preferência ao homem ou à mulher, mas há uma valorização de ambos. Assim como aconteceu com os pobres, esse nivelamento já colocou a mulher em um lugar muito além de sua realidade para a época.
            Dessa forma, pode-se afirmar que a mulher teve um lugar preponderante no ministério de Jesus. O que se pode comprovar no texto de Lucas 8:1-3, onde se lê que várias mulheres participavam ativamente do movimento de Jesus, inclusive prestando assistência com seus bens.
            Concordando com esse raciocínio, Elza Tamez no seu livro As mulheres no movimento de Jesus afirma: “As mulheres seguidoras de Jesus nos mostram duas coisas importantes: primeiro, Jesus sentiu uma inclinação especial pelos setores marginalizados, como os das mulheres, dos pobres e de todos os que sofrem discriminação; segundo, as mulheres encontraram no movimento de Jesus a esperança de que as coisas poderiam mudar, pois elas sempre haviam sido deixadas de lado”.
            Pode-se também confirmar essa idéia da valorização da mulher, de forma clara, no evangelho de João. Afirmam alguns que essa visão poderia ser uma resposta ao pensamento das cartas pastorais, que já pretendiam calar as mulheres, num momento que a Igreja se aproximava da possibilidade de receber o apoio do império romano.
            Em João 2:5 percebe-se uma mulher (Maria, mãe de Jesus) dando ordens aos serventes (diáconos). João 4 registra um diálogo de Jesus com a mulher samaritana, que reconhece a messianidade de Jesus. Em João 11:27 Marta faz uma importante confissão: “Tu és o Cristo, Filho de Deus”. Em João 12:1-8 Jesus é ungido por Maria (irmã de Marta), o que demonstra a beleza e a profundidade da sensibilidade feminina, que já havia percebido, antes de todos, a morte de Jesus. Somente ela percebeu a necessidade de uma preparação especial do corpo de Jesus. Os discípulos não entenderam o que Maria fez e a criticaram, porém  foram exortados por Jesus.
            Na crucificação, o evangelho de João relata a presença das mulheres aos pés da cruz (João 19:25-17) e, finalmente em João 20:1-18 pode-se ver com clareza que Jesus aparece primeiro às mulheres (Mateus 28:1-10, Marcos 16:1-11 e Lucas 24:1-12). e as envia (apóstolas) para que anunciem aos discípulos as boas novas da ressurreição, fato que o apóstolo Paulo não menciona em I Cor. 15:1-8.
            O movimento de Jesus é totalmente igualitário, as mulheres só foram sendo excluídas à medida que a igreja se aproximava do estado romano com sua conduta totalmente patriarcal.

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Resumo do Trabalho de conclusão do Curso de pós-graduação em História do Cristianismo Antigo apresentado na Universidade de Brasília.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

A GRANDE LOROTA DA COPA DO MUNDO NO BRASIL


Eu sou um trabalhador que conseguiu depois de muito tempo de luta e dedicação uma certa estabilidade financeira. Acabo de receber um aumento salarial passando a receber cinco salários mínimos.
Sempre fui fã de cinema e através da internet fiz amizade com casal de atores famosos que moram na cidade de Genebra - Suíça. Por cordialidade, certo dia, convidei-os para passar as férias no Brasil. Que surpresa foi a minha! Meus amigos aceitaram o convite. Então, começaram os problemas da minha vida.
Marcamos a viagem para o junho de 2014. Pensei comigo: vou poder mostrar a hospitalidade brasileira e receber de maneira calorosa esse casal celebridade. Vou também conseguir uma foto exclusiva para postar no meu perfil principal do ‘facebook’. Todos os meus amigos vão ‘curtir’ meu privilégio. Toda minha família se encheu de euforia.
Alguns dias depois do convite ser aceito, recebi a primeira ligação dos meus amigos da Suíça. Eles desejaram saber como era minha casa e para surpresa minha, eles fizeram a primeira exigência: - Não costumamos hospedar em qualquer lugar. Você terá de arrumar sua casa para nos receber. Então, tive de fazer um primeiro financiamento para reformar nossa casa para hospedar um casal que ficaria apenas duas semanas. Lá se foi mais de quarenta por cento de nossa renda.
Meses mais tarde recebo outra ligação. Eles desejavam saber qual o ano e a marca do nosso carro. Fiquei com vergonha do meu carrinho nacional – 2001. Lá se vai outro financiamento, mas pelo menos comprei um importado, ano 2006. Mais trinta por cento da minha renda familiar. Estou muito feliz por receber esse casal, mas minhas dívidas, vou demorar vários anos para pagar, se conseguir.
No final das contas, para receber esse casal celebridade tivemos de matricular nosso filho mais velho numa escola pública. O curso de inglês que minha filha mais nova vai ser adiado e o tratamento contra celulite de minha esposa foi pro ‘beleléu’. Não sabemos quando vamos equilibrar nossas contas e voltar a sonhar com nossas verdadeiras prioridades. Tudo isso para receber um casal celebridade e postar uma foto legal no meu perfil principal do facebook.

Essa é a história da copa do mundo no Brasil em 2014.

terça-feira, janeiro 03, 2012

UM MOMENTO PARA RENOVAÇÃO DA ALIANÇA

Salmo 81:1-16
Este maravilhoso Salmo inspirado pelo Espírito Santo foi trazido a todos nós através da sensibilidade poética do líder musical Asafe. O texto merece grande destaque na história judaica contendo profundos ensinamentos que nos levam ao estudo e meditação para o aprofundamento dos mais belos valores cristãos de obediência aos mandamentos divinos e consagração absoluta ao Senhor.
Não existe um consenso do tempo exato da composição do Salmo. Alguns estudiosos afirmam que foi composto para as Festas judaicas (onde eram tocadas as Trombetas), outros o ligam ao retorno da Arca da Aliança que esteve perdida e foi resgatada pelo Rei Davi. Finalmente, alguns afirmam que foi composto para a Festa da segunda dedicação do Templo construído por Neemias na volta do exílio babilônico.
Um aspecto importante nesse contexto histórico é a presença de um elemento comemorativo na primeira parte do salmo. Há evidências muito claras no próprio texto que o contexto da mensagem é um marco na história litúrgica judaica. Aquele era um momento especial de louvor e adoração a Deus que levava seus filhos a se comprometerem novamente com os mais ricos valores de Sua Palavra. Certamente o Salmo 81 retrata um momento singular preparado para reafirmar os aspectos e os valores do pacto de Deus com seu povo. O texto nos conduz a uma reflexão para um tempo de renovação da aliança.

UM MOMENTO PARA RENOVAÇÃO DA ALIANÇA

            A primeira parte do texto (v.1-5) enfoca um aspecto histórico comemorativo e uma motivação para o louvor a Deus. Esta parte se torna uma preparação para a apresentação dos termos do pacto e o incentivo à obediência. Eis alguns aspectos maravilhosos desse momento de louvor a Deus.

a)      Cantai de júbilo a Deus, nossa força (v.1) – “O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; pelo que o meu coração salta de prazer, e com o meu cântico o louvarei”. (Salmo 28:7).
b)      Celebrai ao Deus de Jacó (v.1) - Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os habitantes da terra. Servi ao Senhor com alegria, e apresentai-vos a ele com cântico. (Salmo 100:1-2).
c)      Salmodiai com o tamboril e a harpa (v.2) – “Vinde, cantemos alegremente ao Senhor, cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação. Apresentemo-nos diante dele com ações de graças, e celebremo-lo com salmos de louvor” (Salmo 95:1-2) e “Bom é render graças ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a tua benignidade, e à noite a tua fidelidade, sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério, ao som solene da harpa” (Salmo 92:1-3).
d)     Tocai a trombeta nos dias especiais de Festa (v.3-5). Esta cerimônia especial foi uma ordem divina estabelecida em Números 10:1-10 e tinha vários significados. Elas serviam de comunicação para o povo das atividades religiosas e demonstravam que haveria uma ação divina. A importância fundamental dessa manifestação litúrgica era a criação de memorial da presença de Deus e ação divina em favor dos seus filhos amados -“Semelhantemente, no dia da vossa alegria, nas vossas festas fixas, e nos princípios dos vossos meses, tocareis as trombetas sobre os vossos holocaustos, e sobre os sacrifícios de vossas ofertas pacíficas; e eles vos serão por memorial perante vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Números 10:10).
 
A segunda parte do salmo (v. 6-16) é a parte onde encontramos uma mensagem divina e um apelo a uma vida de fidelidade e obediência ao Senhor. O louvor e manifestações litúrgicas servem de preparação para a Palavra de Deus, que virá a seguir.
A partir do verso cinco podemos perceber uma mudança significativa da linguagem do salmo. O salmista declara que estava ouvindo outra voz que falava de maneira diferente e incisiva: “em uma linguagem desconhecida eu ouvi alguém dizendo” (v.5). Esta expressão mostra claramente que, assim como o pai disciplina ao seu filho amado, a voz de Deus iria exortar o seu povo. Com toda certeza, esta voz somente poderia ser reconhecida e entendida após o momento de adoração e quebrantamento de coração – “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a nossa confiança inicial; enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação” (Hebreus 3:14-15).
Aqui vemos que Deus estabelece os termos do pacto com seu povo. Deus expõe as regras com muita clareza para que tudo seja obedecido e cumprido por seus filhos amados. Os termos não são novidade, eles serão sempre os mesmos princípios de amor e obediência ao Deus nosso Senhor. Os termos da renovação da aliança com Deus estão  bem claros na Palavra dita pelo Senhor.

  1. O QUE DEUS JÁ FEZ PELO SEU POVO (V.6-7).
a)      Libertou seu povo de quatrocentos anos de escravidão no Egito (v.6) – “Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou Javé; eu vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, livrar-vos-ei da sua servidão, e vos resgatarei com braço estendido e com grandes juízos. Eu vos tomarei por meu povo e serei vosso Deus; e vós sabereis que eu sou Javé vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios” (Êxodo 6:6,7).
b)      Ouviu a oração e o clamor do sofrimento dos seus servos (v.7) – “Mas os egípcios nos maltrataram e nos afligiram, e nos impuseram uma dura servidão. Então clamamos ao Senhor Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz, e atentou para a nossa aflição, o nosso trabalho, e a nossa opressão; e o Senhor nos tirou do Egito com mão forte e braço estendido, com grande espanto, e com sinais e maravilhas; e nos trouxe a este lugar, e nos deu esta terra, terra que mana leite e mel” (Deuteronômio 26:6-9). “E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Salmo 50:15).
c)      No tempo certo apresentou uma resposta poderosa e eficiente (v.7) – “Então Moisés estendeu a mão sobre o mar; e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite, e fez do mar terra seca, e as águas foram divididas. E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas foram-lhes qual muro à sua direita e à sua esquerda” (Êxodo 14:21-22). Para libertar seu povo Deus movimenta as forças da natureza que Ele mesmo criou e mostra seu imenso poder e amor.
d)     Mostrou cuidado e misericórdia com o seu povo e providenciou água da rocha em Meribá – “Mas o povo, tendo sede ali, murmurou contra Moisés, dizendo: Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos, e ao nosso gado? Pelo que Moisés, clamando ao Senhor, disse: Que hei de fazer a este povo? daqui a pouco me apedrejará. Então disse o Senhor a Moisés: Passa adiante do povo, e leva contigo alguns dos anciãos de Israel; toma na mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai-te. Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe; ferirás a rocha, e dela sairá água para que o povo possa beber. Assim, pois fez Moisés à vista dos anciãos de Israel. E deu ao lugar o nome de Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao Senhor, dizendo: Está o Senhor no meio de nós, ou não?” (Êxodo 17:2-7). 

  1. O QUE DEUS EXIGE DO SEU POVO (V.8- 10).
a)      Afastar-se completamente da idolatria (v.9). “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20:2-3). Idolatria é depositar a confiança e a fé em outros deuses – “Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também” (I Co.8:6-7). Então, a idolatria é depositar fé naquilo que  nada pode fazer, ou seja, idolatria é falta de fé.
b)      Confiar unicamente no Senhor. A resposta direta de Deus (v.10) é “Eu sou o Senhor teu Deus que tirei da terra do Egito” A confiança do povo deve ser depositada somente e unicamente em Deus. Deus não admite dividir a sua glória e louvor com ninguém – “Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Maldito o homem que não ouvir as palavras deste pacto, que ordenei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: Ouvi a minha voz, e fazei conforme a tudo que vos mando; assim vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus” (Jeremias 11:3-4).
c)      E como consequência para uma vida de obediência e confiança Deus ainda fala da satisfação plena do seu povo, a verdadeira prosperidade: “abre bem a tua boca e ta encherei” (v.10) – “Confia no Senhor e faze o bem; assim habitarás na terra, e te alimentarás em segurança. Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração” (Salmo 37:3-4). 

  1. O EXEMPLO NEGATIVO DO PASSADO (V.11-12).
a)      O povo foi desobediente e não andou nos caminhos do Senhor (v.11) – “Acaso trocou alguma nação os seus deuses, que, contudo não são deuses? Mas o meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor. Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram o manancial de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (Jeremias 2:11-12).
b)      Andaram segundo a teimosia do seu próprio coração (v.12) – “Mas isto lhes ordenei: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem. Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos; porém andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás, e não para diante” (Jeremias 7:23-24). 

  1. O QUE DEUS PODE FAZER POR SEU POVO (V.13-16).
São maravilhosas as promessas de Deus aos seus servos fieis (v.8-9) – “Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar. Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos! então seria a tua paz como um rio, e a tua justiça como as ondas do mar também a tua descendência teria sido como a areia, e os que procedem das tuas entranhas como os seus grãos; o seu nome nunca seria cortado nem destruído de diante de mim.” (Isaías 48:17-19).

a)      Vitória completa sobre os inimigos e adversários (v. 14):

a.       Os inimigos e adversários seriam dominados e transformados em servos (v.15) – “Feliz és tu, ó Israel! quem é semelhante a ti? um povo salvo pelo Senhor, o escudo do teu socorro, e a espada da tua majestade; pelo que os teus inimigos te serão sujeitos, e tu pisarás sobre as suas alturas” (Deut.33:29).
b.      Essa situação vitoriosa não seria passageira, mas duraria eternamente (v.15) – “Eis que vêm os dias, diz o Senhor, em que cumprirei a boa palavra que falei acerca da casa de Israel e acerca da casa de Judá. Naqueles dias e naquele tempo farei que brote a Davi um Renovo de justiça; ele executará juízo e justiça na terra. Naqueles dias Judá será salvo e Jerusalém habitará em segurança; e este é o nome que lhe chamarão: O SENHOR É NOSSA JUSTIÇA” (Jeremias 33:14-17).

b)      A bênção de Deus como consequência da obediência:

a.       Deus os sustentaria com o trigo mais fino – sustento constante (v.16) - “E as eiras se encherão de trigo, e os lagares trasbordarão de mosto e de azeite. Comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do Senhor vosso Deus, que procedeu para convosco maravilhosamente; e o meu povo nunca será envergonhado. Vós, pois, sabereis que eu estou no meio de Israel, e que eu sou o Senhor vosso Deus, e que não há outro; e o meu povo nunca mais será envergonhado” (Joel 2:24,26-27).
b.      Deus os saciaria com o mel da rocha – prazer incomensurável (v.16) - “Como a águia desperta o seu ninho, adeja sobre os seus filhos e, estendendo as suas asas, toma-os, e os leva sobre as suas asas, assim só o Senhor o guiou, e não havia com ele deus estranho. Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra, e comer os frutos do campo; também o fez chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira, coalhada das vacas e leite das ovelhas, com a gordura dos cordeiros, dos carneiros de Basã, e dos bodes, com o mais fino trigo; e por vinho bebeste o sangue das uvas” (Deut. 32:11-14).

             Os símbolos e as festas do passado sempre foram instrumentos de formação dos valores e condução do povo nos caminhos da obediência aos preceitos do Senhor Javé. Este Salmo deveria ser cantado e utilizado como instrumento especial de Deus para uma renovação da aliança com o Senhor.
            Essa didática do nosso Pai Celestial é muito comum na Escritura. Quando o povo de Deus recebeu a lei através de Moisés a lei foi repetida várias vezes para que fosse sempre lembrada e praticada por várias gerações. Um livro da Bíblia é uma repetição dessa lei. É o livro de Deuteronômio. Antes de Josué entrar na terra prometida ele coloca novamente esses preceitos diante do povo e conclama o povo a se consagrar renovando a aliança com Deus – “Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com sinceridade e com verdade; deitai fora os deuses a que serviram vossos pais dalém do Rio, e no Egito, e servi ao Senhor. Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24:14-15).
            O Salmo 81 é uma grande lição de amor de Deus por seu povo. Era cantado nos momentos de festa para servir de memorial. Mostrava o que Deus tinha feito e o que Deus poderia ainda fazer. Era uma grande motivação para uma vida melhor do povo escolhido. Uma vida melhor significa sempre voltar-se para os braços do Pai Celestial e refazer os compromissos. Que este momento seja uma oportunidade única para uma renovação da aliança com o nosso amado Pai.
“Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (Jeremias 31:31-33).

sexta-feira, dezembro 16, 2011

NATAL

“E o Verbo (Jesus Cristo) se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua Glória, como a glória do (Filho) unigênito do Pai”(João 1:14).

É Natal! Todos os sinais apontam para essa época especial do ano. As ruas estão iluminadas e os centros de compras estão enfeitados e coloridos, ficam repletos de gente com sacolas lotadas de grandes e pequenos embrulhos. As maiores empresas de tecnologia aproveitam a data para lançar seus produtos e os clientes esperam em longas horas na fila para comprarem os novos lançamentos. Depois, exibem o tamanho e o valor daquilo que foi adquirido, mostrando imensa alegria com a compra.
A partir daí muitos carregam mais que o peso dos presentes. O peso das dívidas das compras através dos cartões de crédito e outros meios de crédito que transformam esses clientes em escravos modernos. São dívidas que muitas vezes consomem os recursos financeiros mensais e substituem a euforia do Natal por sérias preocupações e profunda depressão.
No dia de Natal muitas pessoas se alegram com a troca de presentes. Comemoram, bebem e quando amanhece o dia, o resultado de tudo isso são as dores de cabeça por causa da ressaca. Em alguns casos mais graves muitos vão para os hospitais por causa de acidentes em conseqüência das extravagâncias da bebida nas festas natalinas.
Essa é uma realidade bem diferente do que a expressa na Escritura Sagrada. Na Bíblia o personagem central do natal não é o papai Noel com o seu saco cheio de presentes. A história bíblica aponta para o nascimento de Jesus Cristo como o foco principal do Natal e o tema de fundo é o cumprimento de uma promessa de Deus em nos enviar o Messias. Seu nascimento significa alegria e sua morte proclama redenção e salvação para todo aquele que crê. Jesus é o presente de Deus para a humanidade e seu valor é eterno e incalculável.
É Natal! Nasceu Jesus, o Filho de Deus. Ele é o melhor presente que poderíamos receber. Vamos nos encher da verdadeira alegria por ter o privilégio de participar desta festa tão maravilhosa, que comemora o maior acontecimento de todos os tempos. Vamos desfrutar a verdadeira alegria do Natal de Jesus Cristo em todos os dias do ano.
Feliz Natal e um 2012 repleto das bênçãos de Deus!

quinta-feira, dezembro 15, 2011

O EXÍLIO BABILÔNICO

            Na caminhada pelo contexto das Escrituras Sagradas encontramos muitos fatos e histórias marcantes. Um dos mais importantes eventos é o que chamamos de Exílio Babilônico. Este evento importante na história bíblica, que é também chamado de Cativeiro Babilônico, foi a deportação em massa e exílio dos judeus do antigo reino de Judá para a Babilônia por Nabucodonosor.
A primeira deportação teve início em 598 a.C. Jerusalém é sitiada e o jovem Joaquim, Rei de Judá, rende-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém é parcialmente saqueado e uma grande parte da nobreza, os oficiais militares e artífices, inclusive o rei, são levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do Rei Jeoaquim, é nomeado por Nabucodonosor como rei vassalo.
Precisamente 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, ocorre a segunda deportação em 587 a.C. e a conseqüente destruição de Jerusalém e seu Templo. Gedalias foi nomeado por Nabucodonosor para reinar sobre os poucos judeus remanescentes.
Dois meses depois, Gedalias é assassinado e os poucos habitantes que restavam fogem para o Egito com medo de represálias, deixando a terra efetivamente sem habitantes e as cidades em ruínas.
O Exílio Babilônico terminou no primeiro ano de reinado de Ciro II (538 a.C./537 a.C.) após a conquista persa da cidade de Babilônia (539 a.C.). Em conseqüência do Decreto de Ciro, os judeus exilados foram autorizados a regressar à terra de Judá, em particular a Jerusalém, para reconstruir o Templo. Este contexto da volta dos judeus para reconstruir a vida na palestina podemos encontrar muito presente nos livros de Esdras e Neemias.

AS CAUSAS DO EXÍLIO BABILÔNICO

MOTIVO PRINCIPAL: A QUEBRA DA ALIANÇA ESTABELECIDA ENTRE DEUS E O SEU POVO.
“Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Maldito o homem que não ouvir as palavras deste pacto, que ordenei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: Ouvi a minha voz, e fazei conforme a tudo que vos mando; assim vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus; para que eu confirme o juramento que fiz a vossos pais de dar-lhes uma terra que manasse leite e mel, como se vê neste dia.”... “Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos; antes andaram cada um na obstinação do seu coração malvado; pelo que eu trouxe sobre eles todas as palavras deste pacto, as quais lhes ordenei que cumprissem, mas não o fizeram” (Jeremias 11:3-5,8).
O que significa esta quebra de aliança? Quais as evidências dessa quebra do pacto entre Deus e o seu povo?

1.     ABANDONO DE DEUS E AUTOCONFIANÇA.
“Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.”(Jeremias 2:13).
a.     Idolatria.
 “Assim diz o Senhor: Que injustiça acharam em mim vossos pais, para se afastarem de mim, indo após a vaidade, e tornando-se levianos?”...“Acaso trocou alguma nação os seus deuses, que contudo não são deuses? Mas o meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito”(Jeremias 2:5,11).
b.     Egoísmo.
 “Assim diz o Senhor: Maldito o varão que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!”... “Bendito o varão que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor”....“Eu, o Senhor, esquadrinho a mente, eu provo o coração; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações” (Jeremias 17:5,7,10). 

2.     INJUSTIÇAS SOCIAIS E GOVERNOS OPRESSORES.
“Assim diz o Senhor: Executai justiça pela manhã, e livrai o explorado da mão do opressor, para que não saia o meu furor como fogo, e se acenda, sem que haja quem o apague, por causa da maldade de vossas ações” (Jeremias 21:12).
Em Jeremias 22:13 e 17, o profeta denuncia a prática injusta do rei Joaquim contra o povo de Judá e relembra as benesses ocorridas durante o reino de seu pai, Josias: “Ai daquele que edifica a sua casa com iniqüidade, e os seus aposentos com injustiça; que se serve do trabalho do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário... Mas os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua ganância, e para derramar sangue inocente, e para praticar a opressão e a violência”.
a.     Órfãos, viúvas e estrangeiros.
    “Também excedem o limite da maldade; não julgam com justiça a causa dos órfãos, para que prospere, nem defendem o direito dos necessitados. Acaso não hei de trazer o castigo por causa destas coisas? diz o senhor; ou não hei de vingar-me de uma nação como esta?” (Jeremias 5:28).
  “Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o explorado da mão do opressor. Não façais nenhum mal ou violência ao estrangeiro, nem ao órfão, nem a viúva; não derrameis sangue inocente neste lugar. Pois se deveras cumprirdes esta palavra, entrarão pelas portas desta casa reis que se assentem sobre o trono de Davi, andando em carros e montados em cavalos, eles, e os seus servos, e o seu povo. Mas se não derdes ouvidos a estas palavras, por mim mesmo tenho jurado, diz o Senhor, que esta casa se tornará em assolação” (Jeremias 22:3-5).
b.     Escravidão do próprio povo.
    Na mesma temática da justiça social encontramos a passagem de Jeremias 34:14-17, cujas denúncias são a escravidão de hebreus e o descumprimento da aliança do Sinai: “Ao fim de sete anos libertareis cada um a seu irmão hebreu, que te for vendido, e te houver servido seis anos, e despedi-lo-ás livre de ti; mas vossos pais não me ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos. E vos havíeis hoje arrependido, e tínheis feito o que é reto aos meus olhos, proclamando liberdade cada um ao seu próximo; e tínheis feito diante de mim um pacto, na casa que se chama pelo meu nome; mudastes, porém, e profanastes o meu nome, e fizestes voltar cada um o seu escravo, e cada um a sua escrava, que havíeis deixado ir livres à vontade deles; e os sujeitastes de novo à servidão. Portanto assim diz o Senhor: Vós não me ouvistes a mim, para proclamardes a liberdade, cada um ao seu irmão, e cada um ao seu próximo. Eis, pois, que eu vos proclamo a liberdade, diz o Senhor, para a espada, para a peste e para a fome; e farei que sejais um espetáculo de terror a todos os reinos da terra”. 

3.     FALSOS PROFETAS E SACERDOTES CORRUPTOS.
“Coisa espantosa e horrenda tem-se feito na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam por intermédio deles; e o meu povo assim o deseja. Mas que fareis no fim disso?” (Jeremias 5:31).
“Porque desde o menor deles até o maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até o sacerdote, cada um procede perfidamente. Também se ocupam em curar superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz. Porventura se envergonharam por terem cometido abominação? Não, de maneira alguma; nem tampouco sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto cairão entre os que caem; quando eu os visitar serão derribados, diz o Senhor” (Jeremias 6:13-15). 

4.     A CRENÇA NA INVIOLABILIDADE DO TEMPLO E DA CIDADE DE JERUSALÉM.
A mensagem anunciada por Jeremias relembra a destruição de Silo, que fora justificada pelos profetas como conseqüência aos pecados cometidos pela população local.
“Mas ide agora ao meu lugar, que estava em Silo, onde, ao princípio, fiz habitar o meu nome, e vede o que lhe fiz, por causa da maldade do meu povo Israel. Agora, pois, porquanto fizestes todas estas obras, diz o Senhor, e quando eu vos falei insistentemente, vós não ouvistes, e quando vos chamei, não respondestes, farei também a esta casa, que se chama pelo meu nome, na qual confiais, e a este lugar, que vos dei a vós e a vossos pais, como fiz a Silo. E eu vos lançarei da minha presença, como lancei todos os vossos irmãos, toda a linhagem de Efraim” (Jeremias 7:12-15).
“Furtareis vós, e matareis, e cometereis adultério, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes, e então vireis, e vos apresentareis diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e direis: Somos livres para praticardes ainda todas essas abominações?” (Jeremias 7:9-10).

LIÇÕES QUE APRENDEMOS COM O EXÍLIO BABILÔNICO.

  Já sabemos que o motivo principal para o exílio babilônico foi a quebra da aliança por parte do povo. O exílio resultou na morte de muitas vidas e trouxe uma grande humilhação sobre a nação. Por outro lado, também resultou em muitas vantagens espirituais. Então, o que podemos aprender com este evento. Quais as lições que ficam ao estudarmos o cativeiro babilônico.
1.   O Exílio foi uma forte disciplina de Deus sobre seu povo.
 Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, a todos os do cativeiro, que eu fiz levar cativos de Jerusalém para Babilônia...” (Jeremias 29:4).
No mesmo contexto encontramos uma palavra da profecia de Habacuque: “Não és tu desde a eternidade, ó Senhor meu Deus, meu santo? Nós não morreremos. ó Senhor, para juízo puseste este povo; e tu, ó Rocha, o estabeleceste para servir de disciplina” (Habacuque 1:12).
2.    O Exílio serviu de purificação e amadurecimento na fé.
“Edificai casas e habitai-as; plantai jardins, e comei o seu fruto. Tomai mulheres e gerai filhos e filhas; também tomai mulheres para vossos filhos, e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; assim multiplicai-vos ali, e não vos diminuais” (Jeremias 29:5,6).
“Porque assim diz o Senhor: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, eu vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar. Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança” (Jeremias 29:10,11). 
3.  O exílio mostrou através da queda de Jerusalém e da destruição do templo que a presença de Deus não está limitada a construções humanas.
“Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei.  Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração. E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos, e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor; e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei” (Jeremias 29:12-14).
Este é o ensino de Jesus Cristo nas palavras para a mulher samaritana, em João 4:23,24: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”.
4.     O Exílio estimulou o surgimento de uma forma de adoração participativa e popular – A Sinagoga.
O templo era um local de adoração, porém a participação popular era muito distante. O sacrifício era uma missão exclusiva dos sacerdotes. Com a destruição do templo houve a enorme necessidade do contato e comunhão com Deus. No exílio era fundamental o ensino da lei e da palavra de Deus para as novas gerações. A Sinagoga era o lugar para esta missão.
Na época de Jesus Cristo este foi o lugar onde o ensino de Jesus floresceu. Por ser um ambiente onde todos podiam participar, era um ambiente totalmente favorável à pregação das boas novas de salvação a todos os homens e mulheres, sem distinção nem exclusividade.
‘Então voltou Jesus para a Galiléia no poder do Espírito; e a sua fama correu por toda a circunvizinhança. Ensinava nas sinagogas deles, e por todos era louvado. Chegando a Nazaré, onde fora criado; entrou na sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e abrindo-o, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor. E fechando o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta escritura que acabais de ouvir” (Lucas 4:14-21).
 5.   O Exílio ensina a realidade de uma esperança escatológica que toca profundamente os servos de Deus em todos os tempos.
A escatologia é a ciência da últimas coisas. Esta idéia da esperança escatológica está presente em toda a Bíblia. Viver em esperança escatológica é viver com qualidade de vida, é esperar a plenitude do tempo para voltar para casa.  Deus cumpre os seus propósitos eternos. Deus orientou a seu povo a viver com sabedoria naquela terra estranha, mas eles deveriam saber que um dia iriam voltar.
“E procurai a paz da cidade, para a qual fiz que fôsseis levados cativos, e orai por ela ao Senhor: porque na sua paz vós tereis paz” (Jeremias 29:7).
O povo de Deus deve aprender a viver com os olhos na terra, mas com o coração no céu. É necessário todo esforço e oração pela paz da cidade. A Pregação do Evangelho é a proclamação da verdadeira paz e da Salvação eterna.