domingo, setembro 04, 2016

A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO NO LAR



Saboreando o melhor vinho

Fundamentos cristãos para a família


A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO NO LAR

Para vivermos em família e sermos bem-sucedidos em nosso relacionamento temos de aprender a nos comunicar com perfeição. Deus nos fez seres comunicativos e quando aprendemos a usar esta ferramenta certamente haverá sucesso em toda a nossa vida, principalmente na vida conjugal. A comunicação é um caminho para unir totalmente as pessoas e fortalecer os relacionamentos. Comunicação efetiva é a forma correta de viver uma só carne.

Comunicação vem do latim, comunicare, que significa literalmente “pôr em comum”. Então, comunicação é convivência, vida compartilhada, consenso espontâneo entre indivíduos. Consenso é acordo e entendimento. O objetivo da comunicação é o entendimento entre as pessoas. Ao aplicar esses conceitos na vida conjugal constataremos o quanto é importante haver comunicação efetiva para se conseguir uma vida em harmonia no lar.

Nesse capítulo, além de analisarmos a definição de comunicação, vamos estudar os elementos da comunicação humana, os obstáculos à comunicação e o caminho para uma comunicação efetiva.

1. OS ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO HUMANA.

J. R.Whitaker Penteado no seu livro A Técnica da Comunicação Humana fala dos quatro elementos básicos da comunicação. O emissor, o receptor, a mensagem e o meio. O emissor é aquele que se comunica. É a pessoa que deseja se fazer entendido. É importante saber exatamente quem está falando. Mesmo que seja a mesma pessoa fisicamente, a comunicação pode ser feita como pai, marido, filho ou outra pessoa. A primeira coisa a saber é quem fala.

O receptor é a pessoa a quem é dirigida a comunicação. Quando alguém fala é necessário também saber a quem fala. Também é importante lembrar que após entender a mensagem o receptor torna-se emissor ao responder positivamente ou negativamente ao emissor inicial.

A mensagem é aquilo que se fala, o conteúdo da comunicação. Com certeza, existem inúmeras razões para se comunicar, pois para viver melhor o ser humano precisa se comunicar. A comunicação pode ser um pedido, uma reclamação, uma crítica, um elogio. Um detalhe importante nesse aspecto da linguagem é o uso de expressões que tenham o mesmo significado para ambos, o emissor e o receptor. Veja esta frase a respeito do entendimento na comunicação: “Sei que você crê que entendeu o que pensa que eu disse, mas não tenho certeza se você sabe que o que ouviu não é o que eu quis dizer”. Resumindo, comunicação não é o que você fala, mas é o que os outros entendem. Dessa forma, este é um grande desafio na comunicação, uma linguagem que possa ter o mesmo significado para quem fala e quem escuta. Vamos abordar esse assunto mais adiante quando falarmos dos obstáculos à comunicação.

Finalmente, o último elemento da comunicação é o meio. Chamamos de meio o caminho usado para se comunicar. O meio é a rota usada para conduzir a mensagem proferida pelo emissor para o receptor. É necessário entender que existem inúmeros meios ou caminhos para a comunicação humana. Podemos nos comunicar através de todos os sentidos humanos: visão, audição, tato, olfato e paladar, mas é necessária uma linguagem de significado comum. Quando há qualquer deficiência em uma área dos sentidos logo haverá uma substituição ou o fortalecimento de outra.

O ser humano se comunica através de palavras faladas, escritas ou gesticuladas. Um exemplo bem forte é a criação de uma linguagem através de sinais, chamada de libras, utilizada para comunicação com deficientes auditivos.

Existe a comunicação através do corpo, toques, sinais visuais como acenos. Podemos comunicar com outros sons (que não são palavras) e até mesmo com o silêncio. A comunicação através do corpo é muito utilizada, principalmente na vida conjugal. É o que pode ser chamado de comunicação sexual.

O grande desafio é o uso do meio. Este uso pode determinar toda a eficácia da comunicação. Uma pessoa pode preferir falar pessoalmente ou mesmo escrever uma carta em papel e, quem sabe, usar a correspondência eletrônica e, em algumas circunstâncias, ficar calado. São vários meios que podem ser usados, mas a escolha do meio mais apropriado é fundamental e determinante para se fazer entendido absolutamente.

2. OBSTÁCULOS À COMUNICAÇÃO

Existem muitos fatores que prejudicam a comunicação familiar. Em muitos casos e situações as pessoas não se entendem ou têm interpretação divergente da realidade. Podemos enumerar vários obstáculos à comunicação familiar.

2.1 NÃO VIVER BEM CONSIGO MESMO.
Comunicação é convivência e para viver bem com outras pessoas é necessário estar bem consigo mesmo. A própria Escritura registra algo muito forte nesse sentido, quando fala do resumo da lei: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo teu entendimento; e amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 10:27).

Este assunto é muito bem desenvolvido por John Powell2 no livro Por que tenho medo de lhe dizer quem sou? Ele registra que quando não estamos bem conosco mesmos fugimos da verdade e da realidade, criando métodos de defesa do ego. A grande questão, segundo o autor, é que eu tenho realmente medo de me expor para os outros, tenho medo de dizer quem sou porque você pode não gostar e isso é tudo que tenho. Para esconder e não se expor ao próximo muitos buscam refúgio criando máscaras e papéis e jogos.

JOGOS E PAPÉIS.
John Powell cita vários jogos e papéis. É importante mencionar que qualquer pessoa pode jogar um ou mais desses jogos. E a pergunta é: quais desses jogos eu uso? O que estou escondendo? Eis aqui os principais:
SEMPRE CERTO – Esta pessoa raramente perde uma discussão. Não escuta bem as outras pessoas e parece não aprender nada com elas. Age com muita segurança para defender suas dúvidas e incertezas.
CORPO BONITO – A vaidade física é a compensação para um sentimento corrosivo de inferioridade.
VALENTÃO – Este jogo é uma tentativa inútil de reivindicar sua superioridade sobre os outros.
PALHAÇO – Como a maior parte das pessoas, o palhaço compulsivo está buscando algum tipo de reconhecimento e atenção. Tenta fugir da realidade, sem levar nada a sério.
COMPETIDOR – O competidor deve vencer qualquer coisa que faça. Para ele é sempre “ganhar ou perder”. Ele não discute, disputa. Ele não consegue distinguir entre sua pessoa e suas realizações.
CONFORMISTA – Este jogo pode se chamar “paz a qualquer preço” e o preço é abandonar toda individualidade em função dos outros.
DOMINADOR – Este jogo é caracterizado por um desejo exagerado de controlar a vida dos outros e até seus pensamentos.
SONHADOR – O propósito desse jogo é claro: fugir. O objetivo do sonhador é escapar da realidade.
CONQUISTADOR – O jogo da conquista é uma tentativa de ganhar algum tipo de reconhecimento para o ego.
FRÁGIL – A pessoa frágil dá várias mensagens aos outros de que é delicada e precisa ser tratada com muita cautela, “pegue com cuidado”.
HEDONISTA – A pessoa do tipo “prazer acima de tudo” tenta esconder sua imaturidade emocional atrás de eufemismos, mas a imaturidade aparece rapidamente em seus relacionamentos.
SOLITÁRIO – O solitário se exclui do grupo, vive sozinho e tenta se convencer que gosta de viver assim. Entra nessa jogo para tentar escapar dos desafios da sociedade e da vida humana.
MESSIAS – Esse jogo demanda um pouco de imaginação e uma necessidade subconsciente de se sentir importante.
POBRE COITADO – este jogo é usado por aqueles que se desvalorizam.
SEDUTOR – As pessoas que usam esse jogo o fazem por pensar que não têm nada mais a oferecer, senão um corpo sedutor. Querem chamar a atenção do outro e desejam ser populares.

2.2 A COMPLEXIDADE HUMANA.
A natureza humana é muito complexa e ampla. Cada pessoa carrega dentro de si um mundo. São muitos mistérios que nem a própria pessoa consegue conhecer e decifrar. Deus fez cada pessoa diferente, não há na face da terra alguém que seja completamente e absolutamente igual a outra pessoa. Essa individualidade maravilhosa também se torna um grande obstáculo à comunicação efetiva.

2.3 DIVERGÊNCIA DE SIGNIFICADO E INTERPRETAÇÃO DA MENSAGEM.
Comunicar não é o que se fala, mas o que o outro entende. Dessa forma, é absolutamente imprescindível que aqueles que se comunicam estejam completamente certos daquilo que estão falando e entendendo. Com certeza, nem todas as palavras têm o mesmo significado para cada pessoa. Um fala pau, outro entende pedra. Em certos casos é necessário que cada um confirme o que o outro está entendendo.

2.4 FALTA DE SABEDORIA NO USO DO MEIO E DO MOMENTO CERTO PARA A COMUNICAÇÃO.
Como já dissemos, o meio de comunicação é o caminho usado para a interação entre as pessoas no processo de comunicação. Isso significa que nem todos os meios são bons para o processo. Cada situação exige um caminho e um tempo. Conversas importantes para resolver situações entre o casal não podem ser realizadas em qualquer momento ou lugar. Porque para todo propósito há tempo e modo...” (Eclesiastes 8:6a) e “O homem alegra-se em dar uma resposta adequada; e a palavra a seu tempo quão boa é!”(Provérbios 15:23).

2.5 SITUAÇÕES DE STRESS.
Diante de um mundo cada vez mais competitivo e de uma busca cada vez mais exagerada pelas coisas materiais todos vivem constantemente trabalhando mais e mais e colocando a comunhão familiar em segundo plano. Muitos pais e mães perdem muitos anos de suas vidas tentando sustentar a família ou apenas dar certo conforto material e se esquecem de viver uma vida melhor. Muitas famílias vivem uma vida sem qualidade de vida. Não se alimentam bem, não têm um sono reparador ou nem dormem direito. Vivem uma vida sedentária e são alvos fáceis para doenças emocionais. Vivendo dessa maneira não têm disposição para conversar com família e vivem no limite, com os “nervos à flor da pele”. “De que vale para o homem, ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8:36).

2.6 MUITA TECNOLOGIA E POUCO CONTATO PESSOAL.
Um grande inimigo da comunicação familiar é a televisão, os celulares inteligentes e outros passatempos tecnológicos. Todos esses poderosos meios de comunicação têm abalado o diálogo entre a família. As famílias perdem horas em frente da TV vendo programas idiotas e até perniciosos que tendem a não deixar as pessoas pensarem e viverem uma vida feliz. A internet é uma novidade que a maioria de nossos pais não conheceram. A internet tornou o mundo mais fácil, que pode ser alcançado nos telefones ou apenas com um clique no mouse. Porém, tudo isso deve ser usado com muita sabedoria para não sermos dominados pelo esquema desse século. “Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade” (Salmo 84:10).

3. O CAMINHO PARA UMA COMUNICAÇÃO EFETIVA.

Para uma comunicação efetiva é necessário lembrar alguns conselhos úteis, que serão aqui abordados. O que devemos evitar e aquilo que devemos procurar fazer sempre.

3.1 ATITUDES A SEREM EVITADAS.

3.1.1 NÃO FAÇA CRÍTICAS DESTRUTIVAS. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem” (Efésios 4:29). Ninguém gosta de receber críticas, principalmente quando fazemos críticas que não edificam. Certas pessoas proferem palavras que se tornam caminho de desmotivação para os outros. Evitem imputar culpa sobre o outro. Frases desse tipo devem ser abolidas: “você não presta, você nunca vai ser alguém na vida..”

3.1.2 NÃO SEJA IMPLICANTE. Na multidão de palavras não falta transgressão; mas o que refreia os seus lábios é prudente” (Provérbios 10:19). Boa comunicação não é falar muito, mas ser perfeitamente entendido. Dessa forma, devemos evitar conseguir nossas vontades por implicância e por pressionar nossos familiares.

3.1.3 NÃO REVIDE. A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos os homens” (Romanos 12:17). A reação natural de qualquer pessoa é revidar suas ofensas, mas não deve ser assim na família cristã. Este é um princípio básico do cristianismo, pagar o mal com o bem.

3.1.4 NÃO USE O SILÊNCIO COMO ARMA. "Quem retém as palavras possui o conhecimento, e o sereno de espírito é homem de inteligência. Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio, e o que cerra os lábios, por sábio" (Provérbios 17:27-28). Já vimos que até o silêncio é uma maneira de comunicar. E pode ser interpretado de maneira bem diferente, quase sempre de maneira negativa. Portanto, é mais sábio explicar ao outro que você deseja ficar em silêncio, mas que essa atitude não seja por muito tempo.

3.1.5 NÃO DEIXE QUE O SOL SE PONHA SOBRE VOSSA IRA. “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Efésios 4:26). Trate cada divergência ou desentendimento antes que cresça muito e se torne incurável. O desentendimento sem tratamento se transforma em mágoa. Todos os casamentos têm desentendimentos, mas todos os desentendimentos têm cura, se tratados na hora certa, com humildade, amor e respeito.

3.2 ATITUDES A SEREM ESTIMULADAS.

3.2.1 AGIR COM SIMPATIA – É POSSÍVEL DISCORDAR SEM BRIGAR. A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15:1). A verdade deve dominar a convivência, mas a verdade deve ser dita com educação e simpatia. Mesmo em momentos que sejam necessárias palavras mais duras devemos agir com carinho e respeito mútuo. Lembremos que o importante não é só o que se fala, mas também como se fala.

3.2.2 TENHA SEMPRE PRÉ DISPOSIÇÃO PARA O DIÁLOGO. As palavras dos sábios ouvidas em silêncio valem mais do que o clamor de quem governa entre os tolos” (Eclesiastes 9:17). Devemos aproveitar as oportunidades para uma boa comunicação. Os cônjuges devem estar sempre abertos para conversar e para fazer novas combinações. Use a boa comunicação para proteger seu lar em todas as direções.

3.2.3 CAMINHAR COM HUMILDADE. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” (I Pedro 5:5,6). Para conviver em harmonia o casal deve aprender com seus próprios erros. A humildade é o caminho que Deus usa para trabalhar nos ensinando as grandes lições. Esteja sempre disposto a pedir perdão e a perdoar.

3.2.4 RESPEITAR OPINIÕES DIVERGENTES. “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. (Provérbios 16:18). Podemos até discordar de algumas opiniões diferentes, mas temos de defender o direito de cada um se comunicar e se expressar. Não se pode levar as divergências para o campo pessoal. Temos de crescer discutindo opiniões diferentes apenas no campo das ideias.

3.2.5 SABER OUVIR ANTES DE FALARSabei isto, meus amados irmãos: Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar” (Tiago 1:19). Esteja sempre pronto e aberto para ouvir e procure pensar muito antes de falar. Desenvolva a saudável prática de ouvir olhando nos olhos dando toda atenção para quem fala. Os maridos precisam desenvolver essa habilidade e as esposas têm de entender devem escolher o momento certo para conversar com o marido.

CONCLUSÃO.

Para concluir esse importante capítulo é necessário afirmar a importância de uma comunicação efetiva no lar. Para enfrentar as dificuldades naturais do relacionamento o casal deve buscar se expressar da maneira mais pura e sincera possível. Uma boa comunicação na família faz as dificuldades serem tratadas com mais sabedoria e com a benção de Deus.

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1 PENTEADO, J. R.Whitaker, A Técnica da Comunicação Humana, São Paulo: Editora Pioneira, 1974.
2 POWELL, John, Por que tenho medo de dizer quem sou? Belo Horizonte: Editora Crescer, 2006.

sábado, janeiro 24, 2015

INAUGURAÇÃO DO TEMPLO DA IGREJA PRESBITERIANA DE GURUPI


FOTOS HISTÓRICAS I


Meu querido pai Benjamim Pereira da Silva ainda jovem na cidade de Ribeirão Preto - SP


João Marcus e Letícia.

domingo, fevereiro 24, 2013


"Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo" (Apocalipse 1:3)
Apocalipse de João - 1ª parte. Estudo ministrado na Igreja Presbiteriana do Itapoã no culto da noite - dia 17 de fevereiro de 2013.

quinta-feira, setembro 13, 2012

Igreja Presbiteriana do Itapoã


Prédio adquirido para ser a futura Igreja Presbiteriana do Itapoã e região - DF 250 - Itapoã - DF

CHUVA DE BÊNÇÃOS


Quarta-feira foi um dia marcante. Foi o dia mais quente de 2012 em Brasília. Durante a noite estávamos na nossa reunião semanal de oração no Itapoã e ficamos com o coração cheio de alegria em ver uma participação tão expressiva que superou os números anteriores. Antes de ir embora passamos na casa do Raimundo para orar pela saúde da dona Terezinha. Durante a oração Deus nos premiou com uma chuva deliciosa. Deu vontade de brincar na chuva. Não sei se já está chovendo em Brasília, mas aqui na região do Itapoã Deus têm nos dado uma verdadeira chuva de bênçãos!

sábado, abril 28, 2012

O PRIMEIRO MILAGRE DE JESUS

            O texto bíblico de João 2:1-12 relata a história do primeiro milagre de Jesus. Ele viveu e desenvolveu seu ministério na região mais pobre da Palestina. A Galiléia era uma vasta região ao norte do atual estado judeu. Este fato marcante aconteceu na cidade de Caná da Galiléia.
         O primeiro milagre de Jesus é narrado pelo apóstolo João. Ele registra cada acontecimento na perspectiva da valorização dos sinais sobrenaturais e marcantes que confirmam a divindade de Jesus Cristo e da fé salvadora no Filho de Deus. João afirma que “Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia, manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele” (v.11).
         Naquele dia Jesus Cristo transformou um casamento destinado ao fracasso numa celebração de vida e alegria. A água foi transformada em vinho da melhor qualidade. Podemos aprender algumas preciosas lições com o primeiro milagre de Jesus.
         1. Jesus foi convidado para o casamento (v. 2). Esta afirmação mostra a importância de ter Jesus participando da nossa vida e atuando em nossa família. Mesmo que problemas aconteçam, quando Jesus está presente as soluções aparecem e a vitória é certa. “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (apocalipse 3:20).
         2. Fazei tudo quando ele vos disser (v. 5). A autoridade de Jesus é revelada pela palavra de obediência a tudo que ele ordenar. Diante da dificuldade que apareceu, quando o vinho da festa acabou, Maria deu ordens aos serventes (ou diáconos) apontando para a obediência a Jesus. Esta é uma lição que devemos praticar diariamente para sermos abençoados. Fazer tudo que Jesus mandar em sua Palavra. “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15:14).
         3. Enchei com água as talhas de purificação (v. 7). Esse foi um passo de fé que os serventes deram por obediência à Palavra de Jesus.  Não foi algo comum, pois as talhas eram usadas para cerimônias de lavagem e purificação. Entretanto, a água que ali foi colocada se transformou em vinho da melhor qualidade mostrando que o milagre ocorre pela força da fé e na obediência a uma palavra do Filho de Deus. “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa”(Hebreus 10:22).
         4. Guardaste o bom vinho até agora (v.10). A obra de Deus sempre é perfeita e especial. Ser cristão é viver e viver com qualidade de vida. Quem tem fé em Jesus Cristo e obedece à sua palavra certamente será recompensado com as maiores e melhores bênçãos de Deus. “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10).
         5. Manifestou a sua glória e seus discípulos creram nele (v.11). Esse sinal foi um marco de fé na vida dos discípulos. Foi um dia inesquecível para todos os seus seguidores. Foi a visão da glória de Deus. Eles nunca se esqueceram do primeiro milagre e fundamentaram ali a fé no Senhor Jesus. Que a nossa fé esteja fundamentada em um Cristo vivo e salvador. “Estes [sinais] foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:31).
         Ao nosso Senhor Jesus Cristo seja todo o louvor!

sexta-feira, abril 06, 2012

AS SETE PALAVRAS DA CRUZ


Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei. (Gálatas 4:4)

Este é um fim de semana muito especial para todos os cristãos. É a festa de comemoração da Páscoa. Os cristãos relembram o sacrifício de Jesus e a sua gloriosa ressurreição. Há sete expressões que marcaram a morte de Cristo na cruz do Calvário e que precisamos sempre rememorar.

1. João 19:25-27 – AMOR:
“E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus a sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa”.

2. Lucas 23:33,34 – PERDÃO:
“Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à sua esquerda. Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, por que não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes”.

3. Lucas 23:42,43 - VIDA ETERNA:
“E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus respondeu: em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.

4. Marcos 15:34 e Mateus 27:46 – JUSTIÇA:
“Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eli,Eli lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”.

5. João 19:28 - AUTORIDADE:
“Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede”.

6. João 19:30 - VITÓRIA:
“Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito”.

7. Lucas 23:46 - REALIZAÇÃO:
“Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou”.

Estas são as palavras finais do nosso Senhor Jesus Cristo. Elas mostram o quanto Ele é especial para a história da humanidade e para cada um de nós. Ele está vivo e a sua mensagem continua a falar profundamente aos nossos corações. Jesus está vivo! Ele ressuscitou!

Feliz Páscoa!

quinta-feira, março 29, 2012

SÊ FORTE E CORAJOSO


“Depois da morte de Moisés, servo do Senhor, falou o Senhor a Josué, filho de Num, servidor de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, é morto; levanta-te pois agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, para a terra que eu dou aos filhos de Israel. Sê forte e corajoso, porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais. Tão somente sê forte e mui corajoso, cuidando de fazer conforme toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; não te desvies dela, nem para a direita nem para a esquerda, a fim de que sejas bem sucedido por onde quer que andares. Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido. Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares” (Josué 1:1-2;6-9).

            O texto citado é exatamente colocado entre duas lideranças judaicas. Moisés foi o libertador do cativeiro egípcio. O poder de Deus se manifestou poderosamente através da vida de Moisés. Deus julgou os deuses do Egito e libertou seu povo.
            Josué é o sucessor de Moisés e deveria conduzir o povo na conquista da terra prometida. Não seria uma missão fácil e o texto é uma palavra de preparação para uma grande conquista. Há no texto citado a repetição tripla da mesma expressão: “Sê forte e corajoso!” A mesma expressão é repetida com diferentes lições e aplicações. Assim, vejamos o que cada uma delas significa.

         SÊ FORTE E CORAJOSO

         SÊ FORTE E CORAJOSO PARA CONQUISTAR AS GRANDES PROMESSAS DO SENHOR (v.6).

            No verso seis Deus fala que Josué deveria ser forte e corajoso para conquistar a terra que Deus, em juramento, havia prometido aos seus pais. Para aquele momento história seria necessário muita força e coragem. A conquista da terra de Canaã como promessa do Senhor era o alvo a ser atingido.
            Assim como o salmista declara no Salmo 27: “Espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor”. Da mesma maneira encontramos a palavra de fortalecimento do Rei Ezequias para o povo, quando estava cercado por Senaqueribe. Com fé em Deus ele declara: “Sede corajosos, e tende bom ânimo; não temais, nem vos espanteis, por causa do rei da Assíria, nem por causa de toda a multidão que está com ele, pois há conosco um maior do que o que está com ele. Com ele está um braço de carne, mas conosco o Senhor nosso Deus, para nos ajudar e para guerrear por nós. E o povo descansou nas palavras de Ezequias, rei de Judá” (II Crõnicas 32:7-8).

            SE FORTE E CORAJOSO PARA OBEDECER COM FIDELIDADE A PALAVRA DO SENHOR (v.7).
            Deus também afirma a importância da obediência a todas as ordenanças da lei do Senhor. Seria necessário muita força e coragem para cumprir a lei do Senhor. O caminho da obediência merece ser seguido com fidelidade e dedicação. Para obedecer é necessário meditar diariamente (v.8). A obediência à Palavra de Deus é o caminho apontado por Deus para que possamos atingir o alvo, é a maneira de alcançar as grandes promessas do Senhor.
            O texto também mostra a importância do equilíbrio na obediência e aplicação dos princípios bíblicos. Josué não deveria se desviar da lei do Senhor, nem para a direita, nem para a esquerda. Assim encontramos essa lição tão viva em Provérbios de Salomão:“Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal” (Pv. 4:27).
            Esse é o maior desafio para os cristãos do nosso século. Obedecer à palavra de Deus de maneira sábia e equilibrada. É necessário fugir do liberalismo cego e carnal. Algumas pessoas perdem totalmente o respeito pelo sagrado e pelos valores espirituais – I Coríntios 11:21. Por outro lado, também é necessário fugir do fanatismo legalista que valoriza uma aplicação literalista e radical da Palavra de Deus. Essa aplicação sem bom senso e estremada tem atrapalhado muitas pessoas a seguirem um evangelho vivo e rico dos princípios cristãos genuínos – Mateus 7:5,15.

            SÊ FORTE E CORAJOSO PARA ANDAR COM DEUS, POIS ELE SERÁ CONTIGO POR ONDE QUER QUE ANDARES. (v.9).

            Finalmente Deus motiva Josué a andar com o Senhor por todos os dias da sua vida. Para todos os momentos da vida do líder ele deveria andar com Deus. Esse é o propósito supremo da criação humana. Glorificar a Deus e ter o prazer de viver com Ele todos os dias.
            Assim encontramos as palavras da profecia de Isaías. “Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador” (Is. 43:1-3).
            Vale a pena lembrar das palavras de Jesus na grande comissão. “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:19-20). O verdadeiro cristão é aquele que vive na presença do seu mestre. Jesus está conosco. Temos de andar diariamente com Ele.
            Sejamos fortes e corajosos!

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

UM RETORNO AO MOVIMENTO DE JESUS


“Então voltou Jesus para a Galiléia no poder do Espírito; e a sua fama correu por toda a circunvizinhança. Ensinava nas sinagogas deles, e por todos era louvado. Chegando a Nazaré, onde fora criado; entrou na sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e abrindo-o, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor. E fechando o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta escritura aos vossos ouvidos” (Lucas 4:14-21).

UM RETORNO AO MOVIMENTO DE JESUS

            Dia 31 de outubro de 2008 a Reforma Protestante completou 491 anos. Em 1517 Martinho Lutero fixou um importante documento com noventa e cinco teses na porta da Igreja do castelo de Wittenberg na Alemanha. Inicialmente a luta de Lutero era apenas contra a cobrança de indulgências (pagamento por perdão de pecados). Posteriormente, o movimento se espalhou por toda a Europa e causou uma profunda mudança no mundo religioso e político com conseqüências tão profundas que sua influência mudou toda a história da humanidade ocidental até os dias de hoje.
            Este foi o grande legado da Reforma Protestante – O retorno à fonte do cristianismo, através da Escritura Sagrada. Desta forma, quando olhamos para o Novo Testamento e lemos sobre Jesus de Nazaré somos desafiados a continuar a Reforma refletindo naquilo que esta reforma ainda não reformou.
            À luz da Escritura queremos propor uma volta aos princípios básicos do movimento de Jesus Cristo. É importante lembrar que há uma diferença entre movimento de Jesus e cristianismo. O movimento de Jesus é aquele ocorrido na época que Ele viveu, que foi registrado pelos evangelistas. O movimento de Jesus é o cristianismo na sua essência. O que se denomina cristianismo ocorre num momento que consideramos posterior, quando já havia uma estrutura eclesiástica. Olhar para o movimento de Jesus é enxergar o cristianismo na sua forma original, ainda distante da interferência institucional e eclesiástica.
            Então, quais as características fundamentais do movimento de Jesus?

CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DO MOVIMENTO DE JESUS CRISTO

1. JESUS CRISTO ROMPEU COM AS ESTRUTURAS DE PODER
O movimento de Jesus era um movimento de resistência do ser humano. Jesus Cristo nasceu, viveu e morreu num contexto de grande pressão. Por isso sempre vemos nas parábolas de Jesus uma presença forte desse elemento social de extrema pressão. O credor incompassivo (Mt. 18:23-35), o servo vigilante, os trabalhadores infiéis (Mt. 21:33-46), o rico e lazaro (Lc. 16:19-31), o juiz iníquo (Lc. 18:1-8). Quais sãos estas estruturas de poder?
A) Poder Religioso. Jesus enfrentou e rompeu com as estruturas do poder religioso. No texto de Lucas vemos Jesus entrando para ensinar numa sinagoga (Lucas 4:14,16). Por que Jesus valorizava tanto a Sinagoga em detrimento do Templo? Com certeza, podemos ver que há um grande conflito entre o Templo e a Sinagoga. O templo representava o poder religioso exercido por uma elite sacerdotal que se colocava entre o povo e o Deus Todo Poderoso.
Os maiores conflitos de Jesus se deram nesse campo religioso e teológico. Jesus ensinava que o espírito da lei era mais importante e que toda essa estrutura de poder não tinha valor aos olhos de Deus. Como Ele mesmo afirmou: “os últimos seriam os primeiros”.
B) Poder Político. Jesus enfrentou e rompeu com as estruturas de poder político. Em Marcos 12:13-15 temos a questão do tributo. Foi uma ação proposital dos fariseus em acusar Jesus de algum erro. É licito ou não pagar tributo aos romanos? Jesus ao pedir uma moeda já os condena por seu legalismo e afirma que deviam dar a Cesar o que é de Cesar, mas a Deus o que é de Deus. Ou seja, a terra não é de Cesar, mas de Deus. A vida humana não é de Cesar, mas de Deus, que criou o ser humano com liberdade. Toda a exploração do homem pelo homem não é aprovada por Jesus. Na história da cura do endemoniado geraseno, em Marcos 5:7-13 encontramos fortes indícios de resistência de Jesus ao poder político. Nesse caso específico Jesus pergunta o nome dos demônios (o que normalmente não acontece em outras situações). A resposta na palavra “Legião” (v.9) já é um forte indício de afronta ao poder de Roma, pois esta palavra não existia em aramaico e podia significar diretamente uma referência aos dominadores. Aos demônios ou à “legião romana” foi permitido entrar nos porcos (que era considerado um animal impuro para os judeus) e morrerem no despenhadeiro.

           2. JESUS CRISTO PREGOU A IGUALDADE.
            O movimento de Jesus era um movimento de libertação do ser humano. Jesus valorizou o ser humano em sua plenitude. Ele não preferiu um grupo em particular, mas pregou a igualdade ampla e irrestrita. Na contramão da nossa sociedade consumista, a pregação de Jesus valoriza o ser humano por ser e não por ter. “Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça (avareza); porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui” (Lucas 12:15).
            A) Jesus pregou a igualdade social.
            E por que havia tantos pobres no movimento de Jesus? Com certeza, pelo fato de serem a maioria naquela sociedade desigual. Por certo, a participação seria muito maior da parte injustiçada. Havia pobres, mas havia também ricos, que deveriam repartir o que tinham. José de Arimatéia (Lucas 12:21); Zaqueu (Lucas 19:2) e o jovem rico que não quis repartir sua riqueza (Mateus 19:20-21).
            Na pregação de Jesus havia um forte e evidente apelo de libertação, que poderia ser interpretado tanto de maneira espiritual e teológica, como também de maneira real e física – João 8:32.
            B) Jesus pregou a igualdade familiar.
            Ele não deu preferência ao homem ou à mulher, mas valorizou ambos. Assim como aconteceu com os pobres, esse nivelamento já colocou a mulher em um lugar muito além de sua realidade para a época. Dessa forma podemos afirmar com toda certeza que a mulher teve um lugar preponderante no ministério de Jesus.
            É o que podemos comprovar em Lucas 8:1-3 quando lemos que várias mulheres participavam ativamente do movimento de Jesus, inclusive prestando assistência com seus bens. Podemos confirmar essa presença feminina de forma clara no evangelho de João. Tanto poderia ser uma resposta evidente contra as cartas pastorais que já pretendiam calar as mulheres.
            Em João 2:5 vemos uma mulher (Maria, mãe de Jesus) dando ordens aos serventes (diáconos). Em João 4 encontramos um diálogo de Jesus com a mulher samaritana, que reconhece a messianidade de Jesus. Em João 11:27 Marta faz uma importante confissão: “Tu és o Cristo, Filho de Deus”. Em João 12:1-8 Jesus é ungido por Maria (irmã de Marta), o que demonstra a profundidade da sensibilidade feminina que já havia percebido, antes a morte de Jesus, a necessidade de uma preparação especial do seu corpo para a morte. Os discípulos não perceberam o que Maria fez e a criticaram, porém foram exortados por Jesus. Na crucificação vemos que o evangelho de João relata a presença das mulheres aos pés da cruz (João 19:25-17) e, finalmente em João 20:1-18 (Maria Madalena). Podemos ler com clareza que Jesus aparece primeiro às mulheres (Mt. 28:1-10; Mc. 161-11; Lc. 24:1-12) e as envia (apóstolas) para que anunciem aos discípulos as boas novas da ressurreição. Fato que o apóstolo Paulo não menciona em I Cor. 151-8. O movimento de Jesus é totalmente igualitário, as mulheres só foram sendo excluídas à medida que a igreja se aproximava do estado romano com sua conduta totalmente patriarcal.
           
            3. JESUS CRISTO SUPRIU AS NECESSIDADES BÁSICAS DO SER HUMANO.
            O movimento de Jesus Cristo era um movimento de redenção do ser humano.  Desde os primórdios da humanidade o ser humano tem buscado o contato com o sobrenatural ou com alguma forma de divindade. O ser humano sempre buscou algo para dar sentido à sua existência. O movimento de Jesus aconteceu num momento especial no tempo e na história para suprir as necessidades básicas de cada pessoa, transformando-os em seus discípulos. Jesus supriu as necessidades espirituais do ser humano.
            O texto de Lucas 4:16-21 mostra que o tempo de Jesus havia chegado. O texto narra que na Sinagoga Jesus leu a palavra profética de Isaías (Is. 61:1-2). Ele se assenta e todos o olham. Após alguns instantes ele afirma: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir”.
            Jesus supriu as necessidades espirituais, pois veio para cumprir as profecias que falavam sobre um redentor. Em Genesis 2:15 Deus promete um descendente de mulher para destruir a semente da serpente. Em Isaías 53:1-12 lemos uma profecia falando da morte do salvador, escrita há mais de seis séculos antes. A morte que foi o preço de sangue para perdão dos pecados. “...ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós” (Isaías 53:5,6).
            Jesus veio no tempo certo, para cumprir os propósitos de Deus, conforme diz o apóstolo Paulo: “Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos rudimentos do mundo; mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoção de filhos”. Gálatas 4:4-7.
            Jesus curava e alimentava as pessoas para mostrar uma redenção completa, como diz o pacto dos cristãos feito na cidade de Lausane. “Um evangelho pleno, para todo homem e para o homem todo”.
           
            CONCLUSÃO
      Outro grande ensinamento dos reformadores está sintetizado na expressão em latim: “Eclesia reformata et reformand est” - Igreja reformada sempre se reformando.  A Reforma protestante deveria ser apenas o grande começo de uma caminhada de retorno aos princípios esquecidos nas origens do verdadeiro cristianismo – Jesus de Nazaré. Esse retorno deveria seguir um processo maduro de continuidade. É necessário continuar reformando a cada dia e fazer isso implica em conhecer melhor as características do movimento de Jesus Cristo.
Romper com as estruturas de poder significa lutar contra o consumismo, contra o misticismo religioso sem fundamento, contra o elitismo sacerdotal e institucional que se coloca entre Deus e os homens. Pregar a igualdade significa dividir melhor as riquezas, alimentar e ensinar os famintos e pobres, clamar por libertação dos inocentes e escravos modernos.
Finalmente, para proclamar as boas novas de Jesus Cristo, que veio satisfazer e redimir o ser humano, devemos fazer esta pregação mais com nossas atitudes e menos com nossas palavras mentirosas e cheias de hipocrisia. Tudo isso para que não possamos ouvir uma declaração tão sincera como a de Mahatma Gandhi: “Eu quero tudo com seu Cristo, mas não quero esse cristianismo”.
Deus nos ajude!

A PRESENÇA FEMININA NA GENEALOGIA DE JESUS


INTRODUÇÃO

            A presença de nomes femininos na genealogia registrada no evangelho canônico de Mateus é um fato incomum e surpreendente, pois nos registros genealógicos dos livros canônicos normalmente não aparecem o nome das mulheres.
            Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba e Maria tiveram seus nomes incluídos nessa importante genealogia. Todas foram fortes e venceram suas batalhas pessoais e familiares. Todas sofreram e choraram para cumprir o seu papel de mulher e de ser humano. Com suas vitórias, todas deixaram seus nomes marcados para sempre na história.
            A presença dessas mulheres na genealogia de Jesus não é por acaso. Qual foi o propósito do escritor bíblico em registrar esses nomes? Por que razão ele mencionaria essas histórias? Qual a ligação delas com o nascimento de Jesus nesse contexto judaico-cristão na comunidade de Mateus? Nesse caso específico, qual era o objetivo do escritor-evangelista?
            Para compreender esta surpreendente citação feminina na genealogia de Jesus a presente pesquisa pretende seguir três pontos fundamentais: Primeiramente, analisar o pano de fundo contextual do evangelho de Mateus. Em segundo lugar, mostrar o significado do uso de genealogias naquele momento histórico e a sua importância como justificativa de autoridade. Em terceiro lugar, estudar a história de Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba para perceber as diferenças e semelhanças entre cada uma delas. Assim, será possível vislumbrar algumas respostas sobre o objetivo do escritor-evangelista ao fazer referência a cada uma dessas mulheres.
            Sobre a situação que moldou o evangelho de Mateus, provavelmente, há mais acordo do que sobre os demais evangelhos canônicos. Ao que parece o evangelista escreveu a sua carta em resposta ao período de transição que se segue à revolta judaica, em 66-73 D.C., e à transformação resultante tanto no judaísmo como no cristianismo. Possivelmente, Mateus tenha escrito seu evangelho em alguma época das décadas dos anos 80 e 90, para uma comunidade urbana na área da Síria.
            O propósito principal do livro é testificar que Jesus era o Messias da promessa do primeiro testamento e que sua missão messiânica consistia em trazer o reino de Deus até os homens.
            Para Jesus, na sociedade deveria haver lugar para todos: mulheres e homens, pobres e ignorantes. O reino de Deus, proclamação central de Jesus, é um reino ideal no qual não pode haver guerras nem dominação, tampouco fome e discriminação, pois todas as vidas são preciosas aos olhos de Deus.

A GENEALOGIA E SEU SIGNIFICADO

            A palavra genealogia deriva de duas palavras do grego genoς (raça) e logia (estudo) e pode ser traduzida por estudo da raça humana, da origem, da descendência e das relação entre famílias. No caso de algumas nações antigas, as genealogias se revestiam de grande importância, pois as sociedades eram organizadas segundo as linhagens tribais. 
            Na cultura dos hebreus, as genealogias preservavam as identificações tribais e as possessões sob forma de terras, sendo muito importante para uma cultura nitidamente agrícola.
            Os registros genealógicos judaicos contêm informações que se estendem por um período de mais de três mil e quinhentos anos, desde a história da criação de Adão até o cativeiro babilônico.
            Após o cativeiro babilônico, os judeus mostraram-se extremamente cuidadosos em preservar seus registros genealógicos. O historiador Flávio Josefo afirma que era capaz de provar que descendia da tribo de Levi, mediante registros públicos disponíveis. (De vita sua, par. 998). Ele também afirma que, a despeito dos cativeiros e dispersões sofridas por Israel, as tábuas genealógicas nunca foram negligenciadas. Durante o período de dominação romana, entretanto, houve grande destruição desses registros genealógicos e a preservação das linhagens tornou-se um empreendimento privado e, sem dúvida, inexato. Tanto as genealogias públicas quanto as bíblicas, com freqüência, envolviam muitos hiatos, alguns deles graves, pelo que consideráveis inexatidões penetram na questão, mesmo nos tempos antigos, antes do começo do cristianismo.
            Algumas das características particulares das genealogias dos textos bíblicos podem ser observadas em outros textos, principalmente nas listas de reis e governantes das nações vizinhas. Alguns estudos arqueológicos têm mostrado que as genealogias representativas, compostas de modo simétrico, eram uma prática comum entre povos vizinhos de Israel.
            Na lista de reis sumérios Mes-Kiag-Nanna é chamado de filho de Mes-anni-padda, mas descobertas arqueológicas têm mostrado que, na realidade, foi seu neto. Na Babilônia, desde os tempos dos Cassitas, era prática comum o uso da palavra mâr (filho de) fosse uada como sentido de descendente de.O rei Tiraca  (cerca de 670 A.C.) refere-se a Sesóstris III (cerca de 1870 A.C.) como seu pai, embora o espaço de tempo de mil e duzentos anos separassem um do outro. As genealogias árabes exibem o mesmo tipo de fenômeno.
            Dessa forma, é evidente que o uso de genealogias é uma demonstração de autoridade e poder, além de ser a confirmação da linhagem para reivindicação monárquica.
            A genealogia de Mateus, arranjada em grupos de quatorze nomes, mostra que o intuito era o de ser representativa e não completa. Quando o escritor do evangelho de Mateus inicia seu livro com essa genealogia ele está defendendo o reinado de Jesus, através da linhagem de Davi.
            Seja como for, o ponto principal ficou demonstrado: a intenção era mostrar que Jesus era descendente tanto de Davi como de Abraão, ficando assim evidenciado sua reivindicação à posição messiânica.
            A genealogia é dividida em três grupos, com quatorze gerações, como afirma o verso 17. Na verdade, porém o terceiro grupo contém somente treze nomes, e no segundo grupo três gerações são omitidas, conforme a evidência de I Crônicas 1 a 3, que o autor parece ter usado como fonte.
            Há um pensamento sugerido por alguns comentaristas, que a significação que o escritor achou no número “quatorze” é que os valores numéricos das consoantes hebraicas na palavra Davi dão como soma aquele número. Outros estudos vêem implicações mais ocultas no uso de números pelo autor de Mateus.
            Um detalhe que chama a atenção na genealogia do evangelho de Mateus é a citação de alguns nomes femininos.
AS MULHERES DA GENEALOGIA DE JESUS

TAMAR

            A primeira mulher citada na genealogia de Jesus é Tamar. A história de Tamar está registrada no livro de Gênesis 38:1-30.
            Tudo começa quando Judá, um dos filhos de Jacó se apartou dos seus irmãos e foi viver na casa de Hira, o adulamita. Nessa terra, um lugar onde haviam várias cavernas no território ao sudeste do que veio a ser a cidade de Jerusalém, ele casou-se com a filha de um cananeu chamado Sua. Casualmente, a história não menciona o nome de sua mulher cananéia. Desse casamento nasceram-lhe três filhos. Er, Onã e Selá. No devido tempo Judá casa o seu filho primogênito. A esposa escolhida para Er chamava-se Tamar.
            Pouco tempo depois desse casamento e antes mesmo de terem tido filhos Er veio a falecer e Tamar se tornou viúva e sem filhos. Pela lei do levirato (ou dever de cunhado) a mulher que ficasse viúva sem filhos deveria ser entregue ao irmão mais velho, para que fosse completada a descendência do irmão falecido. Essa lei também era chamada de a  prática do dever de cunhado.
            Dessa forma, Tamar foi entregue como esposa de Onã.
            Porém, por causa do orgulho em permitir que fosse dada a descendência ao seu irmão falecido, Onã viveu com Tamar evitando ter filhos, deixando o sêmen cair na terra sem que houvesse fecundação.
            Passados alguns anos Oná também veio a falecer e, mais uma vez, Tamar se tornou viúva sem filhos. Pela mesma lei do levirato Tamar deveria ser entregue ao próximo irmão vivo, chamado Selá.
            Entretanto, Judá não permitiu que assim acontecesse, pois considerou Tamar amaldiçoada pela morte dos dois primeiros maridos. Com a desculpa que o filho Selá ainda era novo para o casamento, Judá a enviou de volta a casa de seus pais.
            Algum tempo depois Judá viajou para Timma, para tosquiar ovelhas. Era uma época festiva entre os cananeus, quando o desejo sexual estava maia aguçado pelo culto cananeu que incentivava a fornicação ritual com magia da fertilidade. Tamar foi ao encontro de Judá e preparou um estratagema, pois percebeu que Selá já era homem e não lhe foi entregue como marido.
            Tamar se despiu das vestes da viuvez e usando um véu disfarçou-se de prostituta. Muito provavelmente Tamar posou como prostituta cultual, talvez para ter segurança dobrada em captar sua vítima. E dessa maneira Judá foi seduzido por Tamar, sem saber que era sua nora.
            Judá ofereceu um cabrito do rebanho como pagamento pelo agrado sexual e Tamar pediu como penhor o selo, o cordão e o cajado. Ele atendeu ao seu pedido e a possuiu; e ela concebeu dele. No outro dia ele não mais a encontrou.
            Passados uns três meses descobriram que Tamar estava grávida e a consideraram adúltera. Quando estavam para condená-la a morte por adultério ela anunciou que estava grávida do dono daqueles objetos: o selo, o cordão e o cajado. Dessa forma, Judá reconheceu que foi injusto com sua nora, não a tendo casado com seu filho Selá.
            Dessa relação incestuosa nasceram-lhe gêmeos. Perez e Zera. O nascimento também foi algo incomum. As crianças disputaram a progenitura antes de nascer, como aconteceu com Esaú e Jacó. Zerá colocou seu braço para fora e nele foi amarrada uma fita vermelha. Porém, Perez ainda nasceu primeiro e recebeu esse nome que significa “aquele que rompe a saída”.
            Assim, Tamar conseguiu ter filhos. Salvou a sua honra e a sua vida. Tamar agiu com astúcia e preservou sua vida e posteridade.
            Certamente, o escritor do evangelho de Mateus conhecia muito bem todos os detalhes humanos e irregulares dessa história. Tamar não foi citada por acaso e sua história continuava a falar séculos e séculos depois.
RAABE

            A segunda mulher citada na genealogia é Raabe. Esta história bíblica está registrada no livro de Josué 2:1-24 e 6:22-27.
            Raabe era prostituta por profissão. Esta história relata a espionagem militar  no momento da conquista da terra por Josué. O povo de Israel tinha passado vários anos no deserto, porém agora sob a liderança de Josué eles estavam batalhando para conquistar a terra de Canaã. Depois de vencerem vários reis eles acamparam em Sitim, quando se preparavam para invadir a cidade. Jericó era muito bem fortificada e protegida por altas muralhas.
            Para tomar conhecimento da cidade e preparar a invasão Josué enviou secretamente dois espiões a Jericó. Os espiões se hospedaram na casa de Raabe, a prostituta. A história bíblica conta que chegou ao conhecimento do Rei da cidade que haviam chegado alguns homens estranhos e suspeitos de serem enviados por Josué.
            Raabe enganou os soldados do Rei da cidade de Jericó dizendo que os espiões tinham saído de sua casa, porém ela os havia escondido no telhado da casa. Depois ela foi ter com os espiões e fez um pacto com eles.
            Raabe reconhece que havia um ambiente de temor em Jericó pela chegada do povo hebreu e certamente não havia como escapar da invasão. Num ato de fé, ela reconheceu que havia um poder especial na ação do Deus dos hebreus. Então, Raabe pediu que fosse poupada, ela e toda a sua família. Sendo assim, ela os ajudaria e protegeria. E assim foi feito.
            Raabe os ajudou fazendo-os descer por uma corda pela janela e no momento da invasão da cidade a casa de Raabe deveria ser marcada com uma fita vermelha que serviria como sinal.
            O assalto à cidade foi tremendo. Os soldados de Josué destruíram e saquearam Jericó, e todos os seus habitantes foram mortos. Porém, Raabe salvou a sua vida e a da sua família, como tinha combinado com os espiões.
            A vida de Raabe foi poupada e ela foi plenamente integrada na família dos hebreus, mesmo sendo uma mulher estrangeira. Ela assumiu plenamente a sua fé no Deus dos hebreus e habitou no meio de Israel integralmente. Ela se casou com Salmon e foram os pais de Boaz.
            Por sua fé e coragem ela foi fundamental na conquista da terra de Canaã e mesmo sendo uma mulher estrangeira e uma prostituta, foi reconhecidamente lembrada na genealogia de Jesus.
  
RUTE

            A terceira mulher citada na genealogia é Rute. Esta história bíblica está registrada no livro de Rute. A história de Rute contada no livro com seu nome é uma verdadeira lição de fé, esperança e amor.
            Nos dias de grande fome na terra uma família de judeus foi morar nas terras de Moabe. O homem chama-se Elimeleque e com ele foi sua mulher Noemi e seus dois filhos, Malom e Quiliom. Passados alguns anos Elimeleque veio a falecer e mais tarde seus dois filhos se casaram com duas mulheres moabitas. Uma chama-se Orfa e a outra se chamava Rute.
            Passados dez anos morreram ambos os filhos, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido. Então Noemi se dispôs a retornar para a terra de Israel, pois o tempo da fome já havia passado.
            Quando estavam de partida Noemi sugeriu a suas duas noras que voltassem para a casa de seus pais. Orfa resolveu voltar, porém Rute se apegou a Noemi de tal maneira que foi com a sogra, mesmo sabendo da falta de perspectiva para ela.
            Elas voltaram e foram morar em Belém no princípio da colheita das cevadas. Era uma época de fartura. Por serem viúvas elas não tinham sustento e viviam com muita dificuldade. Assim, Rute vai à lavoura para rebuscar as espigas que caíam dos jacás dos catadores. A lei judaica permitia esse procedimento aos pobres, estrangeiros, viúvas e órfãos. Rute era uma mulher de trabalho e muito se sacrificava para ganhar o pão para sua casa e de sua sogra.
            Por acaso, ela foi rebuscar espigas na lavoura de Boaz, que era parente da família de Elimeleque, o finado esposo de Noemi. Boaz conheceu a moabita Rute e se admirou com sua tenacidade e fidelidade à sogra Noemi. Ele a agregou às outras trabalhadoras, deu-lhe condição de trabalho e até a chamou para comer do pão com ele.
            Rute ficou admirada com a bondade de Boaz e quis saber por que ele era tão generoso com ela, sendo ela uma mulher estrangeira. Boaz respondeu lembrando da experiência de Abraão dizendo que ela havia deixado pai e mãe, a terra onde nascera e veio para um povo que nem conhecia. Boaz abençoou Rute rogando que ela recebesse uma farta recompensa das mãos do Senhor, Deus de Israel, pois foi debaixo das asas dele que ela veio buscar amparo. A história bíblica mostra o desenvolvimento desse romance baseado na sinceridade, na esperança e na fé em Deus.
            Boaz se sensibilizou pela situação de Rute e resolveu torna-se o resgatador da família. O resgatador era uma possibilidade de restauração social prevista na lei judaica. Era o ato de reaver legalmente os bens da família ou mesmo as pessoas que fossem vendidas como escravas. Ou seja, se a família pobre precisasse vender sua terra, o parente mais próximo era obrigado a resgatar a terra, comprando-a de volta para o parente que a estava perdendo. Se o parente não pudesse comprá-la de volta e a pessoa que vendeu se enriquecesse depois, ele mesmo poderia comprar a terra pelo mesmo valor que a vendeu. Era um modo de preservar a família e evitar o desequilíbrio social.
            No caso de Rute houve uma junção da lei do resgate com a lei do levirato ou o dever de cunhado. Boaz casa-se com Rute para continuar a descendência da família, perdida através da morte de Quiliom.
            Dessa maneira, Rute teve a sua vida restaurada e a esperança se concretizou na restauração de sua família e a posteridade de sua casa. Ela encontrou finalmente a felicidade, como prêmio do seu trabalho, de sua abnegação e fidelidade. Mas, embora a sua moral fosse inatacável, tinha algo vergonhoso para qualquer judeu: era estrangeira. Pior ainda, pertencia aos moabitas, um dos povos mais odiados pelos judeus.
            Do casamento de Rute com Boaz nasceu Obede. A criança veio alegrar sobremaneira o coração de Noemi. Obede foi o pai de Jesse, este foi o pai do rei Davi.
            Rute, essa mulher especial deixa sua marca de integridade na história dos judeus. Este exemplo continua a falar continuamente. Esta moabita, que está presente na linhagem do rei Davi, foi muio bem lembrada pelo escritor-evangelista na genealogia de Jesus.

BATE-SEBA

            A quarta mulher citada na genealogia é Bate-Seba. Esta história bíblica está registrada no livro de II Samuel 11.
            Era uma mulher hitita, esposa de Urias, oficial do rei Davi. Vivia com o seu esposo em Jerusalém, perto do palácio do rei. Era muito bonita. Tão bonita, que o rei Davi se encantou perdidamente por ela. Aproveitando o fato de Urias ter partido para a guerra, o rei mandou chamá-la ao palácio, e se uniram amorosamente.
            Ela, então, ficou grávida. Para evitar o escândalo, Davi fez vir Urias da frente de batalha e deu-lhe uns dias de férias em sua casa, a fim de que este convivesse com sua mulher durante um tempo razoável e assim cobrisse as aparências.
            Mas Urias opôs-se a este privilégio, sabendo que os seus soldados estavam em plena guerra. Então, o rei fez com que o mandassem novamente para o meio da luta, ele retornou para a guerra levando uma carta para o comandante Joabe. Nessa carta havia a sua própria sentença de morte. Urias foi colocado na frente da batalha, na zona mais dura e de maior perigo. Deste modo, Urias morreu e Davi pôde ficar com sua esposa Bate-Seba.
            Algum tempo depois, um profeta, mediante uma comovedora parábola, fez ver a Davi o seu crime e o seu gravíssimo pecado. Davi, humildemente, reconheceu a sua culpa, arrependeu-se e pediu perdão. O adultério cometido por Davi foi o impulso para uma vida familiar totalmente tumultuada até o fim de seus dias.
            O primeiro filho de Davi com Bate-seba morreu ainda criança, Porém, outro filho do casal, Salomão, foi o sucessor de Davi e teve muita prosperidade e sucesso no seu reinado.

PRESENÇA FEMININA NA GENEALOGIA

            Certamente, a presença feminina na genealogia de Jesus é um fato incomum. Nas demais genealogias não se encontram nenhuma referência ao nome das mulheres. Sabe-se que as genealogias tinham seu objetivo histórico e até mesmo teológico. Existem algumas razões que podem ser analisadas, no caso da citação do nome de mulheres na genealogia de Jesus pelo escritor-evangelista Mateus.

A ACUSAÇÃO DE QUE JESUS NÃO ERA O MESSIAS, POR QUE SERIA FRUTO DE UMA UNIÃO ILEGÍTIMA.

            A primeira razão, aqui mencionada, que teria motivado o escritor-evangelista Mateus a citar o nome de mulheres na genealogia de Jesus é que pesava sobre Jesus uma séria acusação. Jesus não poderia ser o Messias, por que seria fruto de uma união ilegítima. Ele era filho de um carpinteiro pobre com uma mulher humilde, que carregava o estigma de alguém que tinha engravidado antes do casamento.
            Há uma relação muito forte entre as mulheres citadas na genealogia com a maneira  pela qual se deu o nascimento de Jesus. Tamar, Raabe, Rute, Bate-Seba tiveram um relacionamento fora dos padrões morais regulares.
            Esse argumento concorda com a afirmação de Saldarini (2000: p.278): “A irregularidade do nascimento de Jesus é preparada pela citação de quatro mulheres na genealogia, todas irregulares de um jeito ou de outro”.
            Nessa mesma linha, está o argumento do professor André Chevitarese (2006), quando escreve sobre o maior interesse das comunidades cristãs, a partir dos últimos decênios do primeiro século em diante, pela família de Jesus de Nazaré. Para defender seu ponto de vista, ele apresenta como um dos seus argumentos a teoria, que pode ser assim resumida:
            Há dois indícios na literatura cristã que deixam transparecer que algumas comunidades cristãs já conheciam a acusação formulada pelos seus opositores de que Jesus não poderia ser o Messias, na medida que ele seria o resultado de uma união ilegítima, sendo considerado filho da prostituição. Os responsáveis por essa acusação estão do lado de fora dos portões das respectivas comunidades, talvez ainda inseridos no judaísmo.
            O primeiro indício ocorre em um diálogo marcado pela tensão crescente entre Jesus e um grupo de judeus. O seu ápice estaria contido na seguinte passagem do Evangelho de João: “[Disse-lhes Jesus]: vós, porém, procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez! Vós fazeis as obras de vosso pai! Disseram-lhe, então: Não nascemos da prostituição, temos um só pai: Deus” (João 8:40-41).
            O segundo indício está no capítulo primeiro do evangelho de Mateus. Verifica-se ao longo da genealogia mateana a citação de cinco mulheres, dentre elas, Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo.
            A narrativa mateana não deixa dúvida: o elemento comum nas narrativas relativas às vidas das cinco mulheres é a prostituição. Na sua genealogia, Mateus cita cinco mulheres, das quais quatro trazem o estigma da prostituição. É pouco provável que a quinta mulher, Maria, estivesse isenta da tal estigma.
            O professor André ainda cita mais três outros textos na literatura do século II, que podem ser usados com referência à acusação da ilegitimidade física de Jesus. O primeiro é o Proto-Evangelho de Tiago. Esse texto deixa claro que algumas comunidades cristãs estavam preparando um material com finalidade de defender a honra de Maria, particularmente no que se refere à sua concepção e ao seu parto virginal. O segundo é o Verdadeiro Discurso, de Celso (datado de 178 D.C.) citado parcialmente na obra de Orígenes, Contra Celso (de 248 D.C.). Nesse texto há o registro de acusações de Celso contra o nascimento ilegítimo de Jesus. O terceiro é Os espetáculos de Tertuliano. É um texto produzido por um cristão do norte da África, em 197 D.C., que recupera a acusação, que ele considera caluniosa, de que Jesus seria filho de uma prostituta.
  
ROMPIMENTO COM O JUDAÍSMO E A MISSÃO AOS GENTIOS.

            Uma outra razão que teria motivado o escritor-evangelista Mateus a citar o nome de mulheres estrangeiras na genealogia de Jesus é que essa citação sinalizaria um princípio de rompimento com o judaísmo e a abertura da missão do messias aos gentios. Tamar foi casada com o filho de Judá quando ele estava distante de sua família, morando com um Adulamita nas terras cananéias. Rute era moabita. Raabe morava em Jericó, cidade destruída por Josué.
            Historicamente há um fator que precisa ser observado. O contexto do evangelho de Mateus tem uma profunda ligação com o período pós revolta judaica dos anos 66-73 d.C. Donald Senior (1987) desenvolve muito bem esse argumento, que pode ser assim resumido:
            Para o judaísmo, a experiência arrasadora da revolta, incluindo a destruição de Jerusalém e do templo no ano 70 d. C., significou mudança radical na textura de sua vida religiosa. A variedade, que caracterizou o judaísmo pré-70, precisava abrir caminho para uma expressão mais homogeneizada a fim de sobreviver. Os fariseus eram os únicos com suficiente força moral e astúcia para coordenar a sobrevivência judaica. Sob sua liderança, centralizada em Jâmnia, os fariseus construíram o judaísmo na base de estreita fidelidade à lei, enquanto interpretada pelos fariseus.
            Esta consolidação de pós-70 significava menos tolerância para grupos marginais do que no período antes da revolução. Movimentos apocalípticos e cristãos eram vistos como enfraquecimento da ortodoxia judaica e, conseqüentemente, como ameaça à sobrevivência.   Como resultado, tais grupos foram expulsos das sinagogas durante o último trimestre do século I e os relacionamentos entre a Igreja e a Sinagoga se tornaram cada vez mais antagônicos.
            Dessa forma, visto que a identidade de Jesus e as implicações de sua mensagem eram os pontos básicos de tensão entre a Sinagoga e a Igreja e o catalizador definitivo no tocante ao deslocamento da igreja em direção aos gentios, não surpreende que a perspectiva de Mateus seja radicalmente cristológica. Jesus não é somente o proeminente filho de Israel, mas o inaugurador de uma nova época de salvação que se estende a todos os povos.
            Os suportes básicos para a perspectiva da missão aos gentios encontram-se em todo o evangelho de Mateus. Assim como pode-se ver no capítulo final, que mostra o estilo de atividade missionária da comunidade de Mateus.
            “E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho ordenado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mateus 28:18-20).

IMPORTÂNCIA DA PRESENÇA FEMININA NO MOVIMENTO DE JESUS.

            A terceira razão que teria motivado o escritor-evangelista Mateus a citar o nome de mulheres na genealogia de Jesus é que esse fato já é uma evidência da importância da presença feminina no movimento de Jesus.
            É impressionante como a literatura canônica e não canônica revela uma presença feminina marcante. As mulheres na genealogia são apenas um sinal dessa presença feminina que viria posteriormente. É muito forte a lembrança e o registro de vários nomes: Marta e Maria, amigas de Jesus; Maria Madalena, apóstola da ressurreição e as mulheres anônimas que deixaram sua marca: a mulher Siro-fenícia, a mulher de Samaria, a mulher impura que “roubou” um milagre de Jesus. O movimento de Jesus foi absolutamente revolucionário nesse aspecto da valorização da mulher como ser humano.
            Uma das características do movimento de Jesus na Galiléia foi a pregação da igualdade. Jesus pregou a igualdade em todos os sentidos. No movimento de Jesus não há preferência ao homem ou à mulher, mas há uma valorização de ambos. Assim como aconteceu com os pobres, esse nivelamento já colocou a mulher em um lugar muito além de sua realidade para a época.
            Dessa forma, pode-se afirmar que a mulher teve um lugar preponderante no ministério de Jesus. O que se pode comprovar no texto de Lucas 8:1-3, onde se lê que várias mulheres participavam ativamente do movimento de Jesus, inclusive prestando assistência com seus bens.
            Concordando com esse raciocínio, Elza Tamez no seu livro As mulheres no movimento de Jesus afirma: “As mulheres seguidoras de Jesus nos mostram duas coisas importantes: primeiro, Jesus sentiu uma inclinação especial pelos setores marginalizados, como os das mulheres, dos pobres e de todos os que sofrem discriminação; segundo, as mulheres encontraram no movimento de Jesus a esperança de que as coisas poderiam mudar, pois elas sempre haviam sido deixadas de lado”.
            Pode-se também confirmar essa idéia da valorização da mulher, de forma clara, no evangelho de João. Afirmam alguns que essa visão poderia ser uma resposta ao pensamento das cartas pastorais, que já pretendiam calar as mulheres, num momento que a Igreja se aproximava da possibilidade de receber o apoio do império romano.
            Em João 2:5 percebe-se uma mulher (Maria, mãe de Jesus) dando ordens aos serventes (diáconos). João 4 registra um diálogo de Jesus com a mulher samaritana, que reconhece a messianidade de Jesus. Em João 11:27 Marta faz uma importante confissão: “Tu és o Cristo, Filho de Deus”. Em João 12:1-8 Jesus é ungido por Maria (irmã de Marta), o que demonstra a beleza e a profundidade da sensibilidade feminina, que já havia percebido, antes de todos, a morte de Jesus. Somente ela percebeu a necessidade de uma preparação especial do corpo de Jesus. Os discípulos não entenderam o que Maria fez e a criticaram, porém  foram exortados por Jesus.
            Na crucificação, o evangelho de João relata a presença das mulheres aos pés da cruz (João 19:25-17) e, finalmente em João 20:1-18 pode-se ver com clareza que Jesus aparece primeiro às mulheres (Mateus 28:1-10, Marcos 16:1-11 e Lucas 24:1-12). e as envia (apóstolas) para que anunciem aos discípulos as boas novas da ressurreição, fato que o apóstolo Paulo não menciona em I Cor. 15:1-8.
            O movimento de Jesus é totalmente igualitário, as mulheres só foram sendo excluídas à medida que a igreja se aproximava do estado romano com sua conduta totalmente patriarcal.

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Resumo do Trabalho de conclusão do Curso de pós-graduação em História do Cristianismo Antigo apresentado na Universidade de Brasília.