segunda-feira, maio 30, 2011

SE EU QUISER FALAR COM DEUS



Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

quinta-feira, janeiro 06, 2011

O TRAVESTI E OS RELIGIOSOS

Faço minhas as letras de Rubem Alves nessa maravilhosa crônica que transcrevo.

Daquele dia em diante, mestre benjamim parou de esperar que lhe fizessem perguntas. Ele se assentava e a cada noite contava uma das parábolas do Senhor das historias.
“Um homem perguntou ao Senhor das histórias sobre os mandamentos. Ele respondeu: 'O primeiro mandamento é que devemos amar a Deus mais do que amamos as coisas que possuímos. E o segundo é que devemos amar o nosso próximo com o mesmo amor que temos para conosco mesmos'. 'E quem é o meu próximo', o homem perguntou. E foi essa história que ele contou.

Era uma vez um garçom que depois de uma noite de trabalho, voltava para a sua casa com um pouco de dinheiro que havia recebido como gorjetas para sustentar sua família. Eram quatro horas da madrugada, as ruas estavam vazias e escuras. Valendo-se da escuridão, dois ladrões atacaram o garçom e, além de roubarem o seu dinheiro, bateram nele, deixando-o como morto na calçada. O tempo passou. O sol anunciou a manhã.

Passava por aquela rua, no seu carro, um sacerdote que se dirigia à igreja para celebrar a primeira missa. Vendo o homem caído, ele se lamentou e disse: 'Se não fosse pela missa eu pararia para ajudá-lo'. Rezou um padre nosso e uma Ave-maria em intensão do ferido e foi cumprir suas obrigações religiosas. Logo depois, passava por aquela aquela mesma rua um pastor evangélico que se dirigia para a sua igreja a fim de dirigir uma reunião de oração. Ao ver o ferido, ele perguntou: 'Meu Deus, que terá feito esse homem para que o Diabo assim o castigasse?' Premido por suas obrigações religiosas ele de longe executou gestos de exorcismo e continuou na direção de sua igreja. Levantando o sol, manhã clara, passava por ali um travesti, em sua lambreta, vindo de uma noite de farras. Ao ver o homem caído, o seu coração se comoveu. Parou, colocou o homem na garupa e levou-o a um hospital. Lá, tirou de seu bolso todo o dinheiro que tinha e disse: 'Para pagar os gastos que houver...' E desapareceu antes que a polícia chegasse.

Terminada a parábola, Jesus perguntou aos que o ouviam: 'Desses três, qual foi aquele que cumpriu o mandamento do amor?' Todos ficaram em silêncio por saberem a resposta. Mas os religiosos não gostaram... (Parábola do Bom Samaritano)”

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Rubem Alves, Perguntaram-me se acredito em Deus, São Paulo: Editora Planeta do brasil, 2007.

sábado, janeiro 01, 2011

TÊNIS EM 2010

Aqui está uma coletânea dos melhores lances do tênis em 2010. Vale a pena conferir.

sábado, dezembro 25, 2010

FELIZ NATAL DA RED BULL


A equipe Red Bull tem demonstrado ser a mais bem humorada da Fórmula 1. Neste Natal o espírito da escuderia não poderia ter sido diferente. E, com um toque de ironia, o time caçoou da Ferrari ao desejar boas festas, relembrando o incidente do GP da Alemanha, quando Felipe Massa foi obrigado a deixar Fernando Alonso passar obedecendo ao pedido da equipe: “Fernando é mais rápido do que você, entendeu a mensagem?”. O cartão foi reproduzido pelo site FISA.

De fato, este é um assunto polêmico. Há um forte debate sobre a ética desportiva e fatos como este fomentam nossos pensamentos. Nas últimas partidas do campeonato brasileiro de futebol de 2010, por exemplo, muito se falou sobre a atitude de alguns times que “entregaram” o resultado dos seus jogos para prejudicar seus rivais. Ficou claro que Palmeiras e São Paulo ajudaram o Fluminense e prejudicaram seu arqui-inimigo, o Corinthians.

No caso do futebol a questão ética esbarra na paixão mortal das torcidas. O torcedor sonha com a vitória do seu time e com a derrota ou o maior prejuízo possível dos seus eternos rivais. Na Fórmula 1 o valor monetário e a presença dos pilotos no campeonato são aspectos que precisam ser considerados. De qualquer forma, é extremamente triste para nós vermos pilotos brasileiros sendo ridicularizados.

Os pilotos brasileiros que deixaram seus colegas de equipe passar “venderam a alma ao diabo!” Perderam a oportunidade de fazer história. Garantiram presença na elite da velocidade através de um ótimo contrato para o mais um ano, mas assinaram sua carta de derrota. Não terão futuro como verdadeiros vencedores na Formula 1. Será que valeu a pena?

A letra da música “É” do nosso “profeta” Gonzaguinha fala por si: É! A gente não tem cara de panaca, A gente não tem jeito de babaca, A gente não está com a bunda exposta na janela.. Prá passar a mão nela...

Passaram a mão na bunda deles!

segunda-feira, agosto 23, 2010

O QUE É PESCA ESPORTIVA?

PESCA ESPORTIVA

A pesca esportiva é uma evolução da pesca amadora, em uma visão mais simplista. Uma atividade que evoluiu de um simples passatempo para uma modalidade de esporte, cujo crescimento é constante e em taxas geométricas.
Ecologicamente correta, a pesca esportiva proporciona momentos de prazer ímpares aos seus praticantes, cada dia mais preocupados com a manutenção do meio ambiente e da preservação das espécies dos peixes, já que sem eles o esporte não pode ser praticado.
Em uma visão cristã, a preservação da natureza faz parte do mandato dado por Deus para a humanidade e deve ser alvo de cada filho de Deus resgatado por Jesus. O cristão glorifica ao criador quando aproveita com responsabilidade da natureza criada por Deus.
A pesca esportiva, dessa forma, é uma maneira especial de se aproximar e desfrutar da natureza criada por Deus.

PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA PESCA ESPORTIVA

1. Faça da pesca um momento especial de meditação e inspiração, para estar em contato com Deus através da natureza e com o próximo.
2. Pescar esportivamente é proceder, de certa forma, como numa competição com o peixe. Métodos desproporcionais chamados de predatórios não devem ser usados.
3. Não é considerado como pesca esportiva:
• Uso de rede ou tarrafa.
• Uso de explosivos.
• Uso de espinhel (várias linhas presas num corda e armadas sobre o rio)
• Uso de “pinda” ou pesca com galão soltos no rio.
4. O equipamento principal a ser utilizado na pesca esportiva é anzol, linha e vara de pescar. Pode ser utilizado molinete ou carretilha.
5. Como existem vários tipos de peixes, também os métodos de pesca são diversos e devem se adaptar aos vários lugares: mar, rios, lagos.
Principais tipos de pescaria:
• Pesca com iscas artificiais.
• Pesca com fly
• Pesca com isca viva.
• Pesca em cevas.

CONSELHOS FINAIS
1. Preserve a natureza – guarde o lixo e traga de volta para ser jogado no lugar certo, que não é no rio.
2. Segurança é fundamental – o colete salva vidas deve ser utilizado.
3. Cuidado com o sol - use proteção para a cabeça e para o corpo, além do bloqueador solar.
4. Não se esqueça de usar repelente para mosquito.
5. Siga as instruções do Barqueiro. Ele foi contratado para auxiliar, porém deve ser respeitado (lembre-se que isso é uma maneira de testemunhar o evangelho). Ele estará preparado para tirar qualquer dúvida, pois é alguém que conhece bem a região e a realidade da pescaria no local.
6. A pescaria deve ser um momento de prazer. Não se afobe, nem se estresse. Não é necessário jogar mais de uma linha/vara na água.

Tenha uma boa pescaria, para a glória de Deus!

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(*) O texto foi feito para a pescaria anual do Grupo de Homens da Igreja Presbiteriana de Brasília. A Foto foi tirada dia 25/08 e o peixe é uma Pirarara de aproximadamente 20 Kg pescada por mim no Clube Pescar em Luziânia - GO. Importante: depois de 30 minutos de disputa e das fotos o peixe foi devolvido para a água.

sexta-feira, julho 23, 2010

NOSSAS BODAS DE PRATA – 20/07/2010

25 anos de vida conjunta, compartilhada. Vida a dois.
25 anos de caminhada. Uma longa estrada percorrida passo a passo. Não há como acelerar o processo, encurtar o caminho, buscar atalhos...
25 anos de aprendizado diário. Dias de fartura, dias de escassez. Dias de alegria, dias de tristeza. Mas em todos os dias a presença do Deus todo poderoso para compor a terceira dobra do cordão que não se quebra.
Ele é o óleo que lubrifica a convivência para não se desgastar.
Ele é a água que hidrata os dois corpos feitos um só.
Ele é o pão que alimenta a relação, nutrindo-a para que não venha a desfalecer.
Ele é tudo em nós em todos os momentos.
Ele é o que é...
E nós somos o que Ele nos fez.
Transformou-nos a cada um, moldando-nos um ao outro.
Por vezes o barro estava endurecido e não foi possível apenas moldar.
A dor de ser vaso quebrado é forte, mas é maravilhoso ser vaso remodelado e não desprezado. Vaso reconstruído para ser cheio com as bênçãos daquele que o criou até transbordar para atingir os que estão ao redor.
É maravilhoso o resultado da nova obra, reajustada e adaptada à realidade da vida que se refaz.
É maravilhoso saber que o nosso Senhor nos ama.
É maravilhoso sentir o seu cuidado.
É maravilhoso viver debaixo de sua graça.
Maravilhosa e superabundante graça.
Louvado seja o nosso Senhor. Gracioso e misericordioso Senhor!

sábado, abril 17, 2010

AQUECIMENTO GLOBAL – MITO OU VERDADE?


A Terra está esquentando. Este é o assunto do momento. Grande parte dos escritores e estudiosos defendem essa idéia nos dias atuais e todos acabam aceitando sem questionar tudo que a mídia prega como verdade absoluta. É sábio e prudente ouvir também opiniões diferentes. Sobre aquecimento global existem pensamentos que são contrários a essa tese da maioria. É muito importante ouvir também aqueles não pensam conforme a mídia e têm bons argumentos em sua defesa.

Publico aqui uma parte da argumentação do Dr. Grady McMurtry contida no livro Criação versus Evolução (Curitiba: 2000, A D Santos Editora). O Dr. McMurthy é um conceituado cientista norte americano e não aceita a idéia de aquecimento global como estamos constantemente ouvindo nos meios de comunicação. 
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AQUECIMENTO GLOBAL! COM CERTEZA NÃO EXISTE VERDADE NISSO!

A Terra está esquentando? Nós vamos morrer desse aquecimento, fazendo que a terra se torne um deserto? Se não pararmos de usar nossos carros, nós como sociedade, sobreviveremos a esse holocausto? Qual é a verdade?

A promoção do “aquecimento global” é puramente uma agenda política de esquerda. Estas pessoas podem ser classificadas como subversivas do meio ambiente. As pessoas acreditam no “aquecimento global”, mas tal crença é irracional.

Veja esta afirmação atribuída ao ex-senador democrata do Colorado, Tim Wirth: “Nós temos que lançar a questão do aquecimento global. Mesmo que a teoria esteja errada, estaremos fazendo a coisa certa, em termos da política econômica e ambiental.”

Outro que precisa ser citado é o Sr. Al Gore, que de maneira irracional, ilógica, sem propósito e não cientifica afirma: “Nós estamos jogando tanto dióxido de carbono no meio ambiente da terra que literalmente, mudamos o relacionamento entre a terra e o sol.”

O AQUECIMENTO GLOBAL É VERDADE?

Não! Estamos simplesmente experimentando uma flutuação climática e ambiental normal.
Estamos vivendo o período do aquecimento do século 20. Até mesmo climatologistas provaram significativamente que a terra experimentou três épocas de um calor maior do que o período de aquecimento de hoje. Estas épocas foram nomeadas e determinadas ter acontecido aproximadamente:
1) Período de aquecimento Minoano (1450 a 1250 a.C).
2) Período de aquecimento Romano (250 a 01 a.C.).
3) Período do Esfriamento da Idade Media ( 01 a 800 d.C).
4) Período de aquecimento medieval (800 a 1250 d.C).
5) Pequena idade do gelo (1250 a 1900 d.C).
6) Período de aquecimento do Século 20 (1900 a 2010 d.C).

EXISTE CONSENSO CIENTIFICO DE QUE O AQUECIMENTO GLOBAL É VERDADE?

Não! O consenso não é o mesmo que verdade. O consenso não é informação. Não é o mesmo que um fato cientifico.

Não! A promoção atual do alarme sobre o aquecimento global é puramente uma agenda política de esquerda.

Não! A temperatura da terra tem flutuado para mais e para menos por centenas de anos por causa das variações da atividade solar bem estabelecidas e documentadas.

Não! O Dr. Richard Lindzen, professor universitário de meteorologia na MIT, antigo autor do painel internacional das nações unidas em mudanças climáticas, escreveu a respeito do aquecimento global: “o consenso sobre aquecimento global foi alcançado antes que a pesquisa começasse”.

Não! O Dr. Timoty Petterson, geologista canadense, escreveu ao Financial Post Canadense, em junho de 2007: “A estabilidade climática nunca foi uma característica do planeta Terra. A única constante a respeito do clima é a mudança; ele muda e às vezes, muito rápido. Muitas vezes no passado, as temperaturas estavam mais altas do que hoje, e ocasionalmente, estavam mais baixas”.

Não! O Dr. Bert Berlin, um meteorologista suíço, por oitos anos diretor do UM IPCC, afirmou “a questão do clima não é determinado; é incerto e incompleto”.

Não! Em uma carta aberta, ao governo canadense, chamada de “Kyoto Aberto ao Debate”, publicada no National Post canadense em 2006, 60 cientistas disseram: “quando o público entender que não existe consenso entre os cientistas climáticos sobre a importância relativa das variadas causas na mudança climática global, o governo estará em uma posição muito melhor para desenvolver planos que reflitam a realidade e então beneficiar o meio ambiente e a economia”.

Não! O Dr. Bob Carter, do laboratório de geofísica da Universidade James Cook na Austrália, escreveu: “Os argumentos circunstanciais de Al Gore são tão fracos que são até patéticos. É simplesmente inacreditável que eles, e seu filme, estão conseguindo a atenção do público”.

Finalmente, todos precisam entender que não existe consenso entre os cientistas climáticos sobre a importância relativa das causas variadas de mudança climática global.

Nosso Deus criador tem muito a nos ensinar a cada dia em sua Palavra. Muitos cristãos falham em pensar na Escritura quando estão tentando avaliar se eles deveriam estar preocupados ou não com a questão. Além disso, existem uma grande quantidade de informações cientificas sólidas que refutam qualquer afirmativa de que o “aquecimento global” ou o “resfriamento global” sejam verdades absolutas.

domingo, fevereiro 28, 2010

NELSON RIOS - UM TESTEMUNHO DE VIDA


As horas acertaram a vida do consertador de relógios. Além dos ponteiros que colocou em ordem, deu corda na própria história. Miudinho, falante, destemido, há 47 anos ele está ali, no mesmo lugar, dando sentido ao tempo - aquele que modifica rumos, altera trajetórias, apaga, renova, segue. Sempre segue. E foi assim que ele resolveu viver: seguindo, como os segundos, os milésimos de segundos que nunca deixou parar. Esse é Nelson, baiano, filho de um telegrafista e de uma costureira, irmão de Zenilde, casado com a goiana Lílian, pai de três filhos, cinco netos. Nome completo: Nelson Rios. Profissão: relojoeiro.

Era 1935. Nascia, na distante Pirituba, perto de Jacobina, distante 400km de Salvador, o homem que faria, anos depois, um pacto com o tempo. Inquieto desde sempre, viu um primo mais velho mexer com relógios. Curioso, ficou perto. Menino de calças curtas, pediu para ver o que ele fazia. "Comecei a futucar relógio", conta. Joel, o primo, incentivou. Passaram-se seis meses. Joel sofreu um acidente de carro. E o menino de calças curtas assumiu o ofício de gente grande. Virou um consertador das horas.

Aos 15 anos, em 1950, mudou-se para Salvador. "Lá, fui trabalhar numa relojoaria e me especializei com o Arcanjo, um dos mais afamados relojoeiros da época. Aprendi tudo dentro da oficina", diz. Ao mesmo tempo que não deixava as horas pararem, tocava os estudos. Terminou o ginásio e começou a fazer o curso normal. Um dia sonhou ser professor. Mas parou no segundo ano. Com um cunhado, montou uma oficina no Largo de São Francisco. Ali consertava relógios e vendia peças trazidas do Rio de Janeiro e São Paulo. Logo virou uma das lojas mais procuradas na capital baiana.

Passaram-se 12 anos. Um dia, em 1962, Nelson resolveu conhecer a terra de JK. Disseram-lhe que aqui ele poderia crescer ainda mais. A cidade começava. Tudo daria certo. Em janeiro do ano seguinte, aos 27 anos, o baiano de Pirituba juntou as economias que guardou ao longo de todos os anos consertando relógios e se mudou para Brasília. Alugou uma lojinha na 311 Sul. Morou na parte de cima dela. Foi o sétimo comerciante do lugar. "A gente catava freguês. Não tinha movimento".

Foi ali que montou sua relojoaria. Começava naquele janeiro de 1963 a saga do homem que fez do tempo o aliado. E sabe, como poucos, que elas, as horas, passam como o vento. "Elas não voltam nunca mais", diz. Aqui, na terra que lhe daria prosperidade, Nelson conheceu sua Lílian, a mulher e mãe de seus três filhos. "Aos 33 anos, com a idade de Cristo, me casei", ri. Enquanto ele consertava relógios, ela terminava os estudos na Universidade de Brasília. A mulher do consertador de relógios virou professora e técnica em educação. "Eu cheguei a trabalhar 12 horas por dia. Foi muito sacrifício, mas sempre me deu prazer. Não tem preço pegar um relógio todo arrebentado e colocar ele funcionando."

Os negócios se expandiram. A Relojoaria Rios abriu uma filial no Conjunto Nacional. "Foi a primeira do shopping", conta. Ao mesmo tempo, tentou levar o comércio a Taguatinga - hoje, ambas estão fechadas. Permaneceu apenas a da 311 Sul, onde a história de Nelson realmente pode ser contada. Há 47 anos, ele abre suas portas às 7h30 da manhã. Vai embora no fim do dia, com a sensação de que as horas sempre mudam o rumo das coisas.

COMO UM PACIENTE

Visitar a oficina de Nelson é como voltar no tempo. No subsolo da loja, centenas de relógios seculares e únicos esperam conserto - alguns de valor inestimável pela história que carregam. Para dar conta do ofício, ele conta com a ajuda do amigo de 47 anos, um homem que entende de horas como ele. Rui José Dias, goiano de 66 anos, encara o ofício como disposição juvenil. "Consertar relógio é manter a vida. É estar de acordo com o tempo. Uma terapia", reflete o relojoeiro de sorriso simpático e gestos delicados.

Por ali já passaram relógios ilustres e um pouco dos rumos do país e alguns dos seus períodos mais emblemáticos. As horas dos ex-presidentes Ernesto Geisel, João Batista Figueiredo e José Sarney foram acertadas ali, naquele subsolo cheio de tempo e delicadezas. "Dona Marly Sarney mandava o motorista trazer os relógios pro conserto", conta Nelson. Tem até um Martionot (legítimo relógio francês movido a corda) à espera de conserto. A peça faz parte do acervo do Palácio da Alvorada, residência oficial dos presidentes da República.

Parou por aí? Não. O homem que manteve o governador Arruda preso - Marco Aurélio Mello, ministro do Superior Tribunal Federal - também usa os serviços das mãos mágicas e precisas do relojoeiro Rui. "Vou à casa dele, no Lago Sul, para consertar um relógio de pedestal, de 2,20m", diz. E elogia, com voz pequena e elegância que faz lembrar o cantor Paulinho da Viola: "O ministro é um homem muito educado. Me deu um exemplar da Constituição brasileira".

Vendendo peças e principalmente consertando relógios seculares, Nelson formou os filhos e construiu seu patrimônio. Hoje mora numa casa confortável no Lago Sul e colocou o canudo na mão de cada um deles. "Uma é enfermeira, outra bancária e o rapaz, o caçula, é músico. Ele mora nos Estados Unidos", detalha o relojoeiro, orgulhoso do que pôde fazer pela família. Hoje, aos 75 anos, Nelson não mais conserta como antigamente. Mas nunca parou. "Todo dia eu mexo numa coisinha. Acerto os relógios. Só descanso no domingo."

Apaixonado pela profissão, o relojoeiro compara o ofício ao trabalho de um médico. "Consertar um relógio é como cuidar de um paciente. Cada detalhe é importante. E se faz tudo para não deixar que morra." E se morre, se o relógio para de vez? Ao contrário do paciente humano, o do relojoeiro sempre ressuscita. Em outro. "A gente reaproveita o que pode e faz com que volte a funcionar. O que não pode parar são as horas."

OFÍCIO EM EXTINÇÃO

Nelson e Rui temem pelo futuro de todos os "pacientes", aqueles que contaram o tempo de uma gente que nem mais existe. "O jovem da cidade grande não quer mais aprender o trabalho. Às vezes, o do interior ainda se interessa porque é o ofício que vai ter", constata Rui. Nelson emenda: "Vai chegar um dia em que todos eles (os relógios) irão parar por falta de quem saiba mexer neles. Não haverá substituto".

É meio-dia. As centenas de relógios do subsolo badalam as horas. É como se tudo, contraditoriamente, parasse. O silêncio - embalado pelas batidas das cordas e pêndulos - faz perceber que as horas realmente existem. "Esse barulhinho me faz bem", admite Nelson. Rui limpa os relógios com se limpasse ouro. E filosofa: "A hora é necessidade. Se a gente perde o tempo dela, não recupera nunca mais".

O miudinho Nelson, ainda com sotaque baiano bem marcante, continua, espantado com tanta hora que passou sem perceber: "Cheguei aos 75 anos e nem vi". Em seguida, confessa, emocionado: "Não tenho medo do tempo nem das horas. Ele (o tempo) não nos pertence". Rui, o amigo fiel, também entende disso.

O homem que passou cada segundo de sua vida cuidando das horas alheias gosta de viajar. Recentemente, foi aos os Estados Unidos, para visitar o filho músico. "A primeira coisa que faço é entrar em loja de relógios. Gosto de ver tudo. Fomos a um museu em Los Angeles e fui direto aos relógios antigos." O homem que conhece relógios como poucos tem muitos deles? "Não. Uns três ou quatro", diz. No braço esquerdo, usa um suíço Bulova. "Não foi caro, não. Custou menos de 200 dólares. Comprei na viagem aos Estados Unidos."

Hora do almoço. Nelson precisa se alimentar. De calça preta, celular pendurado ao cinto e sandálias de couro nos pés miudinhos, segue para um self-service da quadra. O expediente, como as horas, tem que continuar. Ele aprendeu que tudo, principalmente o tempo, é inexorável. Esta é a história do homem que acertou ponteiros como acertou a própria vida. Sem deixar que ela se atrasasse um só segundo.

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Reportagem de capa do jornal Correio Brasiliense do dia 28/02/2010. Nelson Rios é presbítero emérito da Igreja Presbiteriana de Brasília. Nosso tio, irmão e grande amigo!
Veja a reportagem na página do jornal clicando AQUI

sábado, dezembro 19, 2009

O passarinho engaiolado

A liberdade é um risco que devemos correr......
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"Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida o mínimo que se poderia dizer era que era segura e tranqüila, como seguras e tranqüilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos funcionários públicos.

Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita com arames de ferro ou de deveres. Os sonhos aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na alma, que cada um enche como pode. Assim, restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola.

Bem se lembrava do dia em que, enganado pelo alpiste, entrou no alçapão. Alçapões são assim; têm sempre uma coisa apetitosa dentro. Do alçapão para a gaiola o caminho foi curto, através da Ponte dos Suspiros.

Há aquele famoso poema do Guerra Junqueira, sobre o melro, o pássaro das risadas de cristal. O velho cura, rancoroso, encontrara seu ninho e prendera os seus filhotes na gaiola. A mãe, desesperada com o destino dos filhos, e incapaz de abrir a portinha de ferro, lhes traz no bico um galho de veneno. Meus filhos, a existência é boa só quando é livre. A liberdade é a lei. Prende-se a asa, mas a alma voa... Ó filhos, voemos pelo azul!... Comei!

É certo que a mãe do passarinho nunca lera o poeta, pois o que ela disse ao seu filho foi: Finalmente minhas orações foram respondidas. Você está seguro, pelo resto de sua vida. Nada há a temer. Não é preciso se preocupar. Acostuma-se. Cante bonito. Agora posso morrer em paz!

Do seu pequeno espaço ele olhava os outros passarinhos. Os bem-te-vis, atrás dos bichinhos; os sanhaços, entrando mamões adentro; os beija-flores, com seu mágico bater de asas; os urubus, nos seus vôos tranqüilos da fundura do céu; as rolinhas, arruinando, fazendo amor; as pombas, voando como flechas. Ah! Os prudentes conselhos maternos não o tranqüilizavam. Ele queria ser como os outros pássaros, livres... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta? Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!

Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no galho, para ter mais firmeza. Viu outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se se suas asas agüentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Neste momento um insetinho passou voando bem na frente do seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu mostrando a língua.

- Ei, você! — era uma passarinha. — Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato, que anda por lá... Só o nome gato lhe deu um arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas. A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com ele a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava. Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore, sem proteção. Gatos sobem em árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos meninos com seus estilingues, no dia seguinte.

Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a porta ainda estava aberta.

Neste momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:

- Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego. Pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar..."

Rubem Alves - 14/2/94.

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Extraído do livro Teologia do Cotidiano – Ed. Olho d’Água.






domingo, novembro 29, 2009

Regarding Henry - Uma Nova Chance

Regarding Henry. Este é o nome original do filme estrelado por Harrison Ford com direção de Mike Nicholls. A tradução para o português é “Uma segunda chance” e mostra a dramática história de um bem sucedido advogado que depois de um acidente perde completamente a memória e tem de começar sua vida novamente.

Henry Tuner descobre em seu passado uma vida familiar fracassada. Seu casamento era uma grande farsa. Seu relacionamento com sua filha era frio e distante. Ele descobre que o sucesso de sua profissional estava fundamentado na mentira e na falsidade. Também as amizades não passavam relações sociais vazias e sem lealdade.

Henry tem a oportunidade de recomeçar sua vida. Ele esteve à beira da morte, mas sobreviveu. Foi para ele como nascer de novo. Uma nova chance de valorizar mais as pessoas que as coisas, de amar, de fazer a coisa certa, sem se importar com o custo de suas atitudes que passaram a ser pautadas pela boa ética.

Há tanta gente vivendo da mesma forma como Henry vivia. Uma vida sem sentido. Vida familiar fracassada, vida profissional separada de comportamento ético limpo. Muitos sonham com uma possibilidade de começar novamente. A oportunidade de uma mudança existe, basta abrir os olhos e buscar uma nova vida dia após dia, minuto após minuto. Vida que se renova a cada momento.

Este filme influenciou na mudança da minha vida. A sua vida também pode ser mudada se quiser.

terça-feira, setembro 08, 2009

UM PASTOR CAINDO DO CÉU


É impossível esquecer o dia 22 de agosto de 2009. Foi o dia do casamento do Enir Junior (Paky) e Jaqueline e o dia do meu primeiro salto de pára-quedas. Este evento aconteceu na cidade de Barra do Garças - MT e marcou de maneira especial a minha vida.

Alguns meses antes do casamento fiquei sabendo que a cerimônia seria numa praia e que alguns convidados chegariam de pára-quedas. O noivo me disse que seria maravilhoso se o pastor pudesse chegar daquela maneira também. Eu aceitei aquele desafio e assim se fez. Eu não sabia que estaria participando de tão grande emoção que marcaria tanto a minha vida. Na verdade eu nem estava pensando nas conseqüências, que foram absolutamente positivas. 

Chegou o dia do casamento e tudo aconteceu como foi preparado. A noiva chegou de barco e os  outros participantes: o pai da noiva, o noivo e o pastor literalmente caíram do céu para a cerimônia.

É importante registrar que foi uma experiência maravilhosa e inesquecível. Saltar de pára-quedas é como visitar outro mundo, onde as forças da natureza imperam absolutas. É um momento de total comunhão com as forças do criador. É um contato especial com Deus. As imagens estão registradas e marcadas para sempre na minha memória e a emoção que senti é indescritível.

Na saída do avião, não me esqueço da visão da aeronave partindo em contraste com o céu azul daquela tarde quente e ensolarada de Mato Grosso. Foram poucos segundos de queda livre, visto que houve um erro no ponto de saída. Na descida é possível contemplar a beleza das montanhas, dos rios e das belas praias da região. No pouso a tranqüilidade e a certeza de que havíamos chegado em segurança.

Imediatamente depois do salto veio a cerimônia do casamento. Agradeço a Deus pela orientação na condução, mesmo depois de tanta adrenalina. A experiência continuou a ser “degustada e digerida” por vários dias depois. Agradeço pela vida do Neto, que soube nos conduzir com sabedoria e tranqüilidade, mostrando o seu valor com um dos melhores instrutores do Brasil.

De agora em diante desejo participar de outros vôos e voltar a visitar novamente aquele mundo especial da natureza que Deus criou.

sábado, julho 04, 2009

Pescadores em Corumbá IV

Grande companheiro de pescaria, Marcos.

Pescaria de Tucunaré

Vale a pena esse contato com a natureza. Melhor ainda é capturar esse lindo peixe, que é o Tucunaré. Detalhe do céu completamente azul. Que maravilha! Temos de aprender a valorizar o nosso país e preservar a natureza que Deus criou.

Pescaria no Corumbá

Vou postar aqui algumas fotos da pescaria na barragem do Corumbá. Foi muito bom estar nesse lugar maravilhoso e compartilhar momentos especiais pescando o Tucunaré. A água estava tão limpa que foi possível acompanhar a ação do peixe atacando a isca artificial. Tenho de registrar que o peixe foi fiscado usando o equipamento do Marcos.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

VIDA CAMINHO - GRUPO CÁLICE

Grupo Cálice
Johnny, João Marcus, Paulão, Beto e Juarez
Letra da música - Vida Caminho.
Vida Sofrida e sem razão.
Triste caminho em solidão.
Busca sentido, solução,
Trauma, angústia, depressão.
Só Deus pode curar sua alma,
e lhe dar razão prá viver e lutar,
nunca tente enterrar, sufocar, suas emoções,
entregue a quem tem, Ele tem a solução!
Há um caminho a percorrer,
junto a Deus pode obter
Vida, amor, restauração,
Vida repleta, Salvação.

GRUPO CÁLICE

Grupo Cálice
"Então, tomei o cálice da mão do Senhor e fiz que bebessem todas as nações, as quais o Senhor me enviou." Jeremias 25:17.
Esse grupo musical serviu com um grande instrumento da proclamação da mensagem do Evangelho através da música e da pregação da Palavra. O alvo era anunciar onde os outros grupos não iam. Conseguimos levar a mensagem a várias pessoas. Isto aconteceu, "apesar de nós".
O grupo existiu de junho de 1993 a 2005, com várias formações. A primeira era: João Marcus (Guitarra), Beto (Bateria), Paulão(Vocal), Juarez (Baixo) e Johnny (teclado). Depois: João Marcus (Guitarra), Flexa (Bateria), Paulão e Sureila(Vocal), Juarez(Baixo) e Johnny(teclado). Finalmente, tivemos um momento muito triste na morte do Paulão, quando ele estava uma temporada fora do grupo. Houve a volta do Beto (bateria e vocal) e a saída do Flexa.
Se não conseguimos atingir nosso alvo, pelo menos fomos ministros das bençãos de Deus na vida uns dos outros.
"Tu, Senhor, és a porção da minha herança e do meu cálice." Salmo 16:5.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

FÉRIAS 2008/2009

Publicamos algumas fotos da nossa viagem de férias. Passamos o natal e o ano novo no Sítio Coqueiros do Atlântico - Cabrália - Bahia. Depois fomos pelo litoral até Canavieiras, Ilheus e Itacaré. Foram momentos inesquecíveis, que certamente estarão sempre em nossa memória.

ITACARÉ - BAHIA

Depois de uma boa caminhada na mata atlântica chegamos até o mirante da prainha. É um dos lugares mais bonitos que já vimos.

TESOURO EM VASOS DE BARRO

"Porque Deus, que disse: Das trevas brilhará a luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não da nossa parte" (2Co 4:7,8).

VOLEY DE PRAIA NA PRAIA MESMO!

Uma disputa do torneio internacional de voley de praia na praia dos golfinhos.